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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Quando Silenciam os Canhões

Há não muitos meses a Grande Guerra estourava entre as grandes potências europeias. As tropas inimigas, entrincheiradas frente à frente por centenas de quilômetros, eram separadas por pedaço de chão chamado irônicamente de "Terra de Ninguém".


Acostumados e preparados para a guerra de manobras, à moda napoleônica, nenhum dos lados conseguia obter vantagem decisiva sobre o adversário, de capacidade militar semelhante. Os morteiros, obuses e canhões lançavam ao vento uma obscura e sombria sinfonia. As metralhadoras avisavam aos inimigos: não ousem levantar suas cabeças para enxergar o outro lado.

Para além do nacionalismo que nutriu ódios mútuos entre as grandes potências, provavelmente os soldados não entendiam bem porque estavam se batendo. Nenhum deles conhecia Gavrilo Princip e tampouco o Arquiduque Francisco Fernando. Poucos deles conheciam as colônias das grandes potências na África e outras partes do mundo.

Mas naquela manhã o céu apareceu azul. Limpo. Não havia vento naquela porção de terra francesa. As sinfonias da guerra não tocaram naquele instante. Tudo estava calmo. Alguns soldados, com que coragem não se sabe, ergueram suas cabeças acima da linha das trincheiras. "Será que a guerra terminou?" Poderia ele retornar à Berlim, Paris, Londres?

Soldados Alemães e Britânicos confraternizam.

Era a manhã de Natal de 1914. Enquanto olhava, viu que apenas 15 ou 20 metros adiante alguém também erguia sua cabeça. Alguns começaram à sair da trincheira em direção à terra de ninguém. Não carregavam armas. Alguns de seus companheiros fizeram o mesmo e se encontraram com os inimigos à meio caminho. De um lado soldados alemães e de outro lado soldados britânicos. Há meia dúzia de horas esse gesto seria fatal. Mas hoje eles apertavam mãos, conversavam dentro dos limites das línguas mãe. Seus inimigos de véspera eram agora amigos.

Eles ainda jogaram partidas de futebol, um esporte amado em ambos os países. Mostraram fotos de suas famílias, improvisaram árvores de natal e trocaram presentes. Os oficiais estavam zangados pela trégua. Queriam prosseguir com a guerra. No dia seguinte, voltaram as velhas sinfonias. É bem provável que muitos daqueles homens seriam alvejados pelos seus amigos do outro lado da trincheira. O conflito ceifaria muitas vidas. Milhões. Mas aqueles que presenciaram o silêncio dos canhões jamais esqueceriam aquela data memorável.

Soldado Alemão na trincheira aliada.

Soldados jogam uma partida de futebol.


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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Filmes Recomendados: Destino em dose dupla.

Alguma vez tu esteve tão insatisfeito com a tua vida que se pôs a pensar em como tudo poderia ter sido diferente? A indagar como alguns pequenos fatos podem ter mudado completamente o rumo da tua vida e em quão impotente parecemos ser diante das "forças do destino"?

Foi assim que Larry Burrows se sentiu quando parecia estar vivendo o que seria o pior dia da sua vida. Em suas próprias palavras "o dia mais estranho da minha vida".


Poster do Filme

O que me fez escrever sobre esse filme foi uma música que escutei, outro dia, na rua. "Only you", dos Platters. A música encerra o filme com um garoto, caminhando derrotado para fora de um campo de baseball após ter errado o home run que daria a vitória para seu time. Na saída um velho lhe diz:


"Não se preocupe tanto com isso. Lembre-se: tu tens a vida toda pela frente. As coisas vão dar certo. Confie em mim."



Larry tinha uma vida pacata: um emprego razoável, uma casa própria, uma esposa que amava, um cachorro companheiro e um grande amigo de infância. Ele só achava a vida dele... pacata demais. De uma forma divertida, o destino dá um jeito num erro de infância que persegue Larry desde e então e ao que ele responsabiliza por sua vida suburbana.

De uma hora para a outra sua vida muda e ele alcança tudo o que desejava. Só que de um jeito indesejado, numa realidade paralela. É a partir daí que a trama se desenrola.

Nos embalos do sempre engraçado James Belushi (K-9, um policial bom pra cachorro, Inferno Vermelho), como Larry, em ótima atuação, com seus diálogos recheados de humor fino e tendo como coadjuvante ninguém menos que Michael Caine (Escape to Victory e a Trilogia Batman Begins), como Mike, em espetacular forma, ainda ao lado de Linda Hamilton (O Exterminador do Futuro), Jon Lovitz (Máquina quase Mortífera, Quero ser grande e 3.000 milhas para o inferno), Rene Russo (Tin Cup, Máquina Mortífera 3 e 4 e The Thomas Crown Affair) e Courtney Cox (Friends), o filme de quase duas horas prende o espectador alternando cenas cômicas misturadas com drama que nos faz refletir.

O que é que queremos da nossa vida? O que é realmente importante? Qualquer que seja a resposta, lembre-se: as coisas vão dar certo.

Assista ao filme abaixo ou clicando no link direto para o Youtube aqui.



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domingo, 10 de novembro de 2013

Carta Aberta - Ref. Renovação Téc. Renato Portaluppi

Com os últimos resultados do Grêmio, no Brasileirão e na Copa do Brasil, com as notícias que dão conta do encaminhamento de renovação entre clube e treinador, enviei a seguinte Carta Aberta à direção do clube e ao Conselho Deliberativo com a exposição de motivos pelo qual não devemos manter Portaluppi para 2014.

Escrevi em alguns minutos, gostaria de ter incrementado, porém devido ao tamanho já grande, deixei por aí.

"Novo Hamburgo, 10 de novembro de 2013.
A/C
Sr. Pres. do Conselho Deliberativo do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense Milton José Munhoz Camargo
Sr. Pres. do Conselho de Administração do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense Fábio André Koff. 
Na condição de sócio do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense, encaminhamos a presente missiva para fazer as necessárias e pertinentes ponderações quanto à renovação com o técnico Renato Portaluppi.
Ao que consta na imprensa, tal renovação está próxima e deve ser acertada nas próximas semanas. Dentre os gremistas sei que os que são contra tal renovação são a minoria, quiçá até a absoluta minoria.
Porém vou expor alguns motivos que sustentam esta ideia.
Por primeiro, gostaria de fazer uma avaliação sobre as escolhas táticas e técnicas do Renato. Quando assumiu o time, teve um começo irregular, errático. Até achar o esquema ideal diante das deficiências de montagem do elenco. Só temos um zagueiro confiável (Rhodolfo) e portanto a necessidade de fortalecer a defesa recaiu sobre nossos volantes. Daí o uso sistemático dos três volantes. E como achou esse sistema? Com as lesões do Zé Roberto, que nunca foi meia de ligação, que abusa dos passes laterais, que é lento e efetivamente produz muito pouco, e do Elano, que da mesma forma nunca foi esse meia de ligação, e que PARECE estar com condição física abaixo da ideal, essa última observação decorrente do fato de que em questão de 30min de jogo ele já não consegue ter o mesmo rendimento física. Renato ACHOU essa formação, que era acima de tudo uma solução de compromisso, pois com 4 estrangeiros acabava ficando alijado nosso único meia de ofício, Maxi Rodriguez.
Renato não ENTENDEU porque o time se tornou mais competitivo, e justamente por este motivo não conseguiu manter o desempenho diante de adversidades. Apostou cegamente no "bumba meu boi", sem um meia e com dois atacantes pesados, Barcos e Kleber.
Na semi-final da Copa do Brasil, não tendo a barreira dos adversários em virtude da suspensão do ataque titular, tendo a oportunidade de jogar com um meia, Maxi, substituiu o Vargas, que na prática vinha fazendo as vezes de meia-atacante, por Werley, mais um zagueiro, deixando os novatos, Mamute e Lucas, absolutamente desamparados. A impressão que tive é que, não confiando nos atacantes, ele optou resguardar-se para segurar um 0x0. No jogo da volta, impelido por um nocivo ativismo panfletário da imprensa e da torcida, que pediu a escalação do Zé Roberto, escalou o atleta contra as suas "convicções" para afagar o ego da imprensa e da torcida e como forma de auto-preservação, colocando seu cargo e sua imagem acima dos interesses do clube.

Mais atrás, em 2011, na final do Camp. Gaúcho, tendo vencido fora de casa o Internacional por 2x3, no jogo de volta, vitimado pela própria miopia, sofremos nada menos do que TRÊS gols de contra-ataque, inclusive um deles marcado por um jogador manco, TENDO a vantagem do "regulamento". Na Libertadores de 2011, empatando um jogo em casa, 1x1, no jogo de ida das Oitavas-de-Final, com um jogador à menos, novamente tomamos um gol de contra-ataque que praticamente sepultou as chances no jogo fora de casa, jogo da volta. De um modo geral, a atuação do Renato em 2011 foi bastante fraca, frágil.
Vale lembrar também o imobilismo, em vários jogos, do treinador quanto à substituições que possam mudar a cara do jogo. Hoje, promoveu alterações somente após os 35min do 2º tempo. Antes que os jogadores pudessem entrar em campo o Grêmio sofreu o segundo gol e limitou drásticamente as possibilidades de reação.

Restam evidenciadas as limitações do Renato enquanto técnico/estrategista.

Por segundo, quero tecer comentários quanto ao caráter megalômano da personalidade do Renato. Ele tem se destacado por declarações polêmicas, quase sempre após situações em que, por erro dele mesmo, o clube teve algum insucesso.
- O famoso episódio da "calça de 400 reais";
- "Comigo ele rende", justificando a contratação do ex-jogador Carlos Alberto;
- "Tem que dar carinho", para os jogadores preguiçosos e desmotivados, caso do Gabriel, lateral que felizmente enviamos para o rival;
- "Não vou perdoar", cobrança pública sobre o imbróglio da contratação do Vinícius Pacheco, jogador de passagem apagada no clube;
- Torneio de Futevôlei em meio à Libertadores;
- Recusa de ir treinar o time no interior;
- "Diziam que o time brigava contra o rebaixamento quando assumi", coisa que nunca foi falado pela imprensa/torcida, e serve para supervalorizar os resultados;
- "Agora tem algum valor", sobre a camisa do Grêmio que recebeu seu autógrafo;
- O episódio do trote;
- "Tenho mais títulos que ele tem de idade";
- "Fui melhor que Cristiano Ronaldo";
- "O Fluminense vai brincar no Brasileirão", quase foi rebaixado;
- "Só não assinei o contrato ainda porque não quis", declaração sobre a renovação dada na coletiva de imprensa hoje, dia 10 de novembro.

Mais uma vez resta evidenciado o pensamento megalômano do Renato, que se acha maior que o clube.
Quero ainda fazer uma ponderação quanto à aposta em treinadores sem tanta vitrine. O Grêmio tem uma experiência própria com o Espinosa, o Felipão, o Tite e o Mano. Mas chamo a atenção para o caso do Cruzeiro, virtual campeão Brasileiro de 2013. Contratou um treinador sem vitrine, sem grife, e montou um time com muitos jogadores sem expressão e alguns jogadores mais caros e experimentados, de forma cirúrgica e pontual. O Grêmio não ganha nenhum título de expressão há 12 anos. Porém parece que, entra ano sai ano, temos medo de arriscar com um treinador sem expressão, com jogadores sem expressão. Não há mais o que temer.
Gostaria de colocar mais ideias, porém esta carta já ficou bastante extensa. Espero ter contribuído com um contra-ponto à ideia dominante de renovação e manifesto publicamente aos srs. meu pedido de que não seja renovado o contrato de técnico com o Renato Portaluppi.
Atenciosamente,
André Roberto Finken Heinle
Sócio Matrícula 141.645"


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quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Onde estão Bento, Neto, Canabarro, Teixeira?

À cada 20 de Setembro brotarão por toda a parte os mais belos discursos e as mais belas homenagens aos farrapos que há mais de um século se bateram contra o Império Brazileiro. Brotarão porque foram semeadas. Por um sem-número de bravos.

Entre os que semearam as ideias de liberdade, igualdade e humanidade, um deles recebeu o justo título de "Herói de Dois Mundos". Combatendo desde a Pampa Gaúcha até as Planícies Mediterrâneas, passando pelos Apeninos italianos, Garibaldi foi testemunha ocular da história que se passou naquela ponta do mapa brasileiro ao sul do Mapituba.

Nada ilustra melhor a bravura farroupilha que a carta de Garibaldi à Domingos José de Almeida, escrita em 10 de setembro de 1859 em Modena, Itália:

"Modena, 10 de setembro de 1859.

Meu prezado amigo sr. Almeida,

Quando eu penso no Rio Grande, nessa bela e cara província, quando no acolhimento com que fui recebido no grêmio de suas famílias, onde fui considerado filho: quando me lembro das minhas primeiras campanhas entre vossos valorosos concidadãos e os sublimes exemplos de amor pátrio e abnegação que deles recebi, eu fico verdadeiramente comovido. E esse passado de minha vida se imprime em minha memória como alguma cousa de sobrenatural, de mágico, de verdadeiramente romântico.
Eu vi corpos de tropas mais numerosos, batalhas mais disputadas; mas nunca vi, em nenhuma parte, homens mais valentes, nem cavaleiros mais brilhantes que os da bela cavalaria rio-grandense, em cujas fileiras aprendi a desprezar o perigo e combater dignamente pela causa sagrada das nações. Quantas vezes fui tentado a patentear ao mundo os feitos assombrosos que vi realizar por essa viril e destemida gente, que sustentou por mais de nove anos contra um poderoso império a mais encarniçada e gloriosa luta!
Não tenho escrito semelhante prodígio por falta de habilitações, porém a meus companheiros de armas por mais de uma vez tenho comemorado tanta bravura, nos combates, quanta generosidade na vitória, tanta hospitalidade, quanto afago aos estrangeiros, e a emoção que minha alma, então ainda jovem, sentia na presença e na majestade de vossas florestas, da formosura de vossas campinas, dos viris e cavalheirescos exercícios de vossa juventude corajosa; e, repassando pela memória as vicissitudes de minha vida entre vós, em seis anos de ativíssima guerra e da prática constante de ações magnânimas, como em delírio brando:
- Onde estão agora esses buliçosos filhos do Continente, tão magestosamente terríveis nos combates? Onde Bento Gonçalves, Neto, Canabarro, Teixeira e tantos valorosos que não lembro?
- Oh! Quantas vezes tenho desejado nestes campos italianos um só esquadrão de vossos centauros avezados a carregar uma massa de infantaria com o mesmo desembaraço como se fosse uma ponta de gado?
- Que o Rio Grande ateste com uma modesta lápide o sítio em que descansam seus ossos. E que vossas belíssimas patrícias cubram de flores esses santuários de vossas glórias, é o que ardentemente desejo.
- Eu muito me lembro, meu digno e caro amigo, da bondade generosa com que fui honrado por vós, no tempo em que tão dignamente ocupastes uma das pastas do ministério da república, e tenho verdadeira saudade, como gratidão dos benefícios recebidos de vós e de vossos companheiros e concidadãos na minha estada no Rio Grande. Por mim abraçai a todos esses amigos e mandai em toda a ocasião ao vosso verdadeiro amigo

"José Garibaldi"
(Giussepe Garibaldi)"

Texto retirado da página "Coisas que Gaúcho fala", do Facebook.

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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Dia do Irmão!

Há rumores que hoje é o Dia do Irmão.

Os irmãos são sem sombra de dúvida nossos primeiros amigos, com os quais dividimos nossos brinquedos, herdando cá e lá uma peça de roupa, um móvel, um carrinho de bebê, e com quem compartilhamos momentos de brincadeiras...

Não tive a oportunidade de "ganhar" um irmão ou irmã, elas é que me "ganharam". Quando vim à este mundo, já as encontrei com alguma cancha, o que me custou alguns cascudos quando ainda em tenra idade. Mas sempre tive a certeza de poder dar o troco "quando eu fosse mais velho". E com o tempo, nem foi preciso dá-lo, eis que não fiquei mais velho que elas.

É intrigante a relação entre irmãos! Podemos brigar feio, como animais, e está tudo bem, é assim mesmo. Mas que ninguém mexa com elas: haverá de encontrar um inimigo mortal. Podemos ter vontade de matá-las, mas mataríamos por elas!

Os nossos irmãos são, pois, as pontes que nos ligam às memórias dos tempos de uma inocência perdida. Aquele tempo de jogo de Can-Can, de Mate com Açúcar, de jogos de vôlei e futebol, dos apelidos inventados, da Cabra-Cega na sala, do Esconde-Esconde na lavanderia, dos aniversários juntos, do candelabro pau-mandado, e por ai vai... Fora uma barriga cortada, uma ou outra perna ou braço esfolado, alguns vasos e lâmpadas quebradas, algumas brigas mais feias, acho que deu tudo certo.

Têm sido um grande privilégio acompanhá-las nesta jornada! Amo vocês duas! Feliz Dia do Irmão, Quel e Jô!!!



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segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Reforma Política: uma proposta para discussão!

Na esteira das manifestações que tomaram o Brasil (leia aqui post sobre os eventos), surgiram novamente as propostas de Reforma Política que aparecem, de tempos em temos, como a panacéia para o país, em cada crise institucional que inevitávelmente dá as caras.

Como forma de dar uma resposta à sociedade, a presidente Dilma sugeriu um plebiscito para a convocação de Constituinte exclusiva. Essa proposta lançou uma cortina de fumaça e caos sobre o tema, que é controverso. Sob o aspecto jurídico (especialistas afirmam que não está prevista a instalação de "constituinte exclusiva"), e ainda sobre a divergência entre plebiscito e referendo.

De qualquer forma, a síntese das propostas de PT e PSDB, atores antagônicos e hegemônicos da política nacional, é mais ou menos esta:

- PT: Financiamento público de campanha, Voto em lista, fim das coligações na eleição proporcional e Fidelidade partidária, além da adoção de mecanismos de democracia direta;
- PSDB: Fim da reeleição e aumento dos mandatos para cinco anos, fim das coligações na eleição proporcional, redução de dois para um o número de suplentes de senador, a adoção da cláusula de barreira, alteração no cálculo do tempo de propaganda eleitoral obrigatória e a adoção do voto distrital misto.

Desde o gov. FHC, muitas tentativas foram feitas, e algumas coisas até saíram do papel, como a adoção da reeleição, a fidelidade partidária adotada por medida da justiça eleitoral, a cláusula de barreira, adotada porém derrubada no STF, e a lei da Ficha Limpa. Embora algumas sejam positivas, na opinião deste blogueiro tratam-se de um pequeno arranhão na superfície do problema.

O artigo sobre as manifestações estava pela metade, quando o completei hoje, mas foi por pura coincidência que me deparei com postagem, nas redes sociais, do Gabinete Digital, pedindo sugestões para uma eventual reforma política. Houveram muitas boas lembranças, e me animei à dar os meus palpites, que não se limitam à sistema partidário e eleitoral.

As propostas à seguir não pretendem ser definitivas, nem tampouco colocar em segundo plano o relevante papel da moralidade e do espírito público que deve nortear a atuação dos partidos e dos políticos. Contudo, em que pesem convicções minhas como o parlamentarismo e o voto distrital, o conceito básico que norteou a construção dessa lista foi a viabilidade e/ou a condição de não-ruptura das propostas. Defendo o parlamentarismo, mas entendo que a adoção dele é hoje inviável e principalmente, que os efeitos dessa ruptura poderiam ser até negativos. Com o voto distrital ocorre o mesmo. Portanto foquei em temas que possam gerar algum consenso deixando temas mais espinhosos para um futuro, distante ou não.

- Fim das coligações para eleição proporcional;

- Redução drástica dos benefícios aos legisladores;

- Fim dos recessos parlamentares e judiciários acima dos trinta dias, e fiscalização externa do cumprimento de horas/dias trabalhadas, além de respectivos cortes nos vencimentos em caso de faltas não justificadas;

- Cláusula de Desempenho;

- Regulamentação das atribuições da Justiça na cassação de parlamentares condenados;

- Fim da suplência para senador. Na vacância, assume o segundo (ou terceiro, no caso da eleição de renovação de 2/3 das cadeiras) mais votado no pleito;

- Regulamentação que reduza drasticamente a edição de Medidas Provisórias pelo Gov. Federal, ampliando o espaço público do congresso nacional para a discussão dos temas políticos do país;

- Redefinição do Pacto Federativo, ampliando as atribuições e receitas de Estados e Municípios, ao mesmo tempo reduzindo a dependência político-partidária destes com o Gov. Federal e o poder de cooptação de parlamentares e partidos para a base aliada por meio da liberação de emendas parlamentares.

Em breve vou comentar ponto à ponto as propostas!

O que acham os leitores?! Mandem suas opiniões que eu as publicarei e comentarei aqui!

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domingo, 30 de setembro de 2012

Pelo direito de dirigir alcoolizado

Abaixo, posto um texto do articulista Lew Rockwell, presidente do Ludwig von Mises Institute, nos EUA, traduzido por Leandro Roque, do Instituto Mises Brasil.

O artigo aborta justamente a questão da Lei Seca, um absurdo jurídico sustentado por um Judiciário conivente com um pretenso "interesse social" das leis. Para sempre será conhecida tal lei com a alegoria do Padre, que ao rezar a missa não pode dirigir, pois a liturgia compreende um gole de vinho, gole o suficiente para fazê-lo ASSASSINO aos olhos da lei. Bandido, sem ter cometido crime algum.

Acintosa a lei que permite o uso da lei de forma tirana e anti-democrática, permitindo às autoridades policiais declarar quem está ou não embriagado, ou ainda que perverte os direitos civis obrigando a pessoa à promover provas contra si mesmo.

Enfim, leia abaixo, um importante artigo.

"Em novembro de 2000, o ex-presidente Clinton ratificou um projeto de lei aprovado pelo Congresso que ordenava que os estados adotassem novos e mais onerosos padrões anti-embriaguez ao volante.

Caso não fizessem isso, os estados iriam deixar de receber fundos federais para suas estradas. É isso mesmo: o antigo truque da chantagem rodoviária. Obviamente, os estados criaram novas e mais rigorosas leis contra a embriaguez ao volante, reagindo como esperado à chantagem federal.

Os federais declararam que um nível de álcool no sangue de 0,08 por cento ou maior é algo criminoso e deve ser severamente punido. A Associação Nacional dos Restaurantes está totalmente correta ao dizer que esse nível é absurdamente baixo. A esmagadora maioria dos acidentes relacionados à direção embriagada envolve réus contumazes com um nível de álcool no sangue duas vezes maior do que aquela. Se o padrão de 0,1 não os detém, um padrão mais baixo também não logrará êxito.
Mas há um ponto mais importante. O que exatamente está sendo criminalizado? Não é a falta de perícia ao volante. Não é a destruição da propriedade. Não é o extermínio de uma vida humana por causa de um comportamento imprudente. O que está sendo criminalizado é você ter a substância errada no seu sangue. No entanto, é de fato possível ter essa substância no seu sangue, mesmo ao dirigir, e não cometer nada que seja sequer semelhante ao que tradicionalmente se considera um crime.

Qual é a conseqüência de permitir que o governo criminalize o conteúdo do nosso sangue ao invés das ações em si? Demos ao governo o poder de tornar a aplicação das leis arbitrária, imprevisível e dependente do julgamento de policiais e técnicos. De fato, sem o "bafômetro" governamental, não há como saber ao certo se estamos infringindo a lei.

É claro, podemos fazer cálculos informais na nossa cabeça, baseando-se no nosso peso e na quantidade de álcool que ingerimos durante um certo período de tempo. Mas, na melhor das hipóteses, essas serão apenas estimativas. Temos de esperar que o governo nos ministre um teste que nos diga se somos criminosos ou não. Não é dessa maneira que a lei deve funcionar. Na realidade, isso é uma forma de tirania.

Por outro lado, a reação imediata é mais ou menos assim: dirigir alcoolizado tem de ser algo ilegal porque a probabilidade de causar um acidente aumenta dramaticamente quando você bebe. A resposta é bem simples: em uma sociedade livre, o governo não deve lidar com probabilidades. A lei deveria lidar com ações e com ações apenas, e somente na medida em que estas causarem danos a pessoas ou à propriedade. Probabilidades são para as seguradoras, que devem avaliá-las em um ambiente competitivo e voluntário.

É por isso que a campanha contra a perseguição racial é intuitivamente plausível para muitos: certamente uma pessoa não deveria ser perseguida somente porque alguns grupos demográficos apresentam uma taxa de criminalidade maior do que outros. O governo deveria estar impedindo e punindo crimes em si, não probabilidades e propensões. Da mesma forma, não deveria haver essa perseguição a motoristas, cuja idéia assumida é a de que só porque uma pessoa tomou alguns goles ela automaticamente passa a ser um perigo.

De fato, essa perseguição a motoristas é pior do que a perseguição racial, porque esta última apenas sugere que a polícia está mais vigilante, e não que ela esteja necessariamente criminalizando toda uma raça. Apesar da propaganda, o que está sendo criminalizado no caso da direção embriagada não é a probabilidade de a pessoa dirigindo se envolver em um acidente, mas, sim, a questão do teor de álcool no sangue. Um motorista bêbado é humilhado e destruído mesmo quando ele não cometeu dano algum.

Obviamente, a execução da lei é um problema sério. Um número considerável de pessoas saindo de um bar ou de um restaurante provavelmente seria classificado como motoristas embriagados. Mas não há como a polícia saber, a menos que eles desconfiem de um carro que esteja em zigue-zague ou flagrem manobras imprudentes. Mas aí a questão muda: por que não multar o motorista apenas pela manobra temerária e deixar o álcool de fora? Por que não?

Para ressaltar o fato de que o que está sendo criminalizado é a quantidade de bebida ingerida, o governo organiza essas ultrajantes barreiras policiais, que violam completamente as liberdades civis, apenas para parar as pessoas e checar seu sangue — mesmo quando elas não fizeram absolutamente nada. Esse é um ataque repulsivo à liberdade, um ataque que insinua que o governo tem e deve ter controle total sobre nós, controle esse que se estende até questões biológicas internas. Mas de algum modo aceitamos esse ultraje porque já admitimos a hipótese primeira de que o governo deve nos punir pelo conteúdo do nosso sangue, e não apenas por nossas ações.

Existem muitos fatores que fazem com que uma pessoa esteja dirigindo deficientemente. Ela pode estar com os músculos doloridos após uma sessão de levantamento de peso e apresentar reações mais lentas. Ela pode estar sonolenta. Ela pode estar de mau humor, ou irritada por ter brigado com o cônjuge. Será que o governo deveria ministrar testes de irritação, testes de cansaço, ou testes de dor muscular? Esse é o próximo passo, e não se surpreenda quando o Congresso começar a estudar essa questão.

Já está em movimento uma lei que vai proibir o uso de celulares quando se está dirigindo. Tal absurdidade vem da idéia de que o governo deve fazer julgamentos sobre o que nós supostamente estamos propensos a fazer.

E tem mais: algumas pessoas dirigem mais seguramente após alguns drinques, precisamente pelo fato de elas saberem que seu tempo de reação foi diminuído e que, por isso, elas devem prestar mais atenção na segurança. Todos nós conhecemos pessoas que têm uma incrível capacidade de dirigir perfeitamente bem mesmo após estarem alcoolicamente irrigadas. Elas deveriam ser liberadas das forças da lei, e só serem punidas caso de fato fizessem algo errado.

Devemos colocar um fim imediato nesse modismo. Direção alcoolizada deveria ser legalizada. E, por favor, não me escreva dizendo: "Fiquei ofendido com sua insensibilidade porque minha mãe foi morta por um motorista bêbado". Qualquer pessoa responsável pela morte de uma outra deve responder por homicídio culposo ou assassinato, e deve ser punida de acordo. Mas é incorreto punir um assassino não por causa do seu crime mas por causa de alguma consideração biológica. É como dizer que o atropelador deve ser condenado pois tinha cabelo vermelho.

Assaltantes de banco costumam usar máscaras, mas o crime que eles cometeram nada tem a ver com a máscara. Da mesma maneira, motoristas ébrios provocam acidentes, mas motoristas sóbrios também; e muitos motoristas ébrios não causam acidente algum. A lei deveria se concentrar em violações contra a pessoa e contra a propriedade, não em excentricidades científicas como o conteúdo sangüíneo.
Há um último ponto contra o projeto de lei de Clinton. Trata-se de uma violação dos direitos dos estados. Não há uma autorização na Constituição que permita ao governo federal legislar o teor de álcool no sangue. Além disso, a décima emenda deveria ser suficiente para impedir que o governo o fizesse. A questão da embriaguez na direção deveria ser retornada aos estados, e então cada estado deveria liberar os motoristas ébrios das forças da lei."

Fonte: http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=115

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Dia Mundial do Gaúcho: Gritos de Liberdade

Quero celebrar com todos o nosso glorioso 20 de Setembro, o Dia Mundial do Gaúcho!

Quase dois céculos atrás, gente de fibra e raça insurgiu contra a tirania e o centralismo. Com recursos muito aquém daqueles do império, sustentou uma luta por uma década inteira, com vitórias e reveses. Não como uma "Guerra Perdida", mas vencida, porque se aqueles ideais permanecem até hoje, se o gaúcho pode se orgulhar das suas tradições, aquelas lutas transformam-se em pedra angular de nossa história, e porque foi a única oportunidade em que o Império Brazileiro foi obrigado à sentar-se à mesa de negociações.

Uma das marcas da nossas tradições é a Semana Farroupilha, comemorada quase que durante um mês inteiro. Onde os gaúchos confraternizam nos piquetes, com o chimarrão, o churrasco, e também o trago, oras... Ali aflora o que o estado têm de melhor. Neste 15 de Setembro, no Acampamento Farroupilha de Sapucaia do Sul, tive a oportunidade de conhecer um desses pequeninos casos, uma daquelas histórias que fazem arrepiar o pêlo de qualquer queixo duro.

Me acupinchava com um piquete na frente de onde eu estava, e em determinada oportunidade, vi um senhor cabeludo, cabelos negros, bombacha, alpargata, lenço e camisa, e a boina, ajoelhado conversando e brincando com um gurizinho, bem careca e com síndrome de down. E o sorriso denunciava a faceirice do guri.

Curte a carne que os caras assavam.

Na seqüência, prosseguindo com meus planos de comer um churrasco de graça, rsrs, fui falar com este senhor, que nem tão senhor é, estava mais para um moço feito. Bom, desde que eu chegara até quando finalmente saí o cidadão estava se encharcando. Aí conversamos algumas banalidades, e vi que o cupincha segurava o choro. Não demorou à me contar. Naquele da fazia exatamente um ano que perdera sua filha, de seis meses, também portadora de síndrome de down, para a meningite. Contou-me que o piazito chegou, e pediu emprestada a boina. A boina que segundo ele fôra presente do avô. Ao que respondeu a criança (e a razão de tamanha felicidade): "Não vou te emprestar, vou te DAR".

Emocionado fiquei EU, naquele momento e agora. São situações assim que fazem valer à pena manter as tradições e celebrar o 20 de Setembro.

Fiquem com a lindíssima música "Gritos de Liberdade", do Grupo Tradição.



Gritos de Liberdade
Grupo Rodeio


Minuano tironeando a venta dos tauras
Relincho de baguais faíscas ao vento
O brado terrunho do punho farrapo
Num bate cascos medonho ao relento

REFRÃO:
Peleando em favor da pampa a pilcha sovada em tiras
Marcando fronteira provou lealdade
Livrando os trastes da campa na ventania rusguenta
Pranchando adaga a gritos de liberdade
Vento, cavalo, peão (marca de cascos no chão),
Fronteira sem marcação (nosso ideal meu rincão)

Em noites em que o minuano assusta os cavalos
Escuto o tropel dos centauros posteiros
Almas charruas cavalgam coxilhas
Guardando as fronteiras do sul brasileiro

REFRÃO
Peleando em favor da pampa a pilcha sovada em tiras
Marcando fronteira provou lealdade
Livrando os trastes da campa na ventania rusguenta
Pranchando adaga a gritos de liberdade
Vento, cavalo, peão (marca de cascos no chão)
Fronteira sem marcação, (nosso ideal meu rincão)
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quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Derradeiro Aniversário!

"Todos os caminhos levam ao Olímpico Monumental"

É difícil pensar em algo para escrever. Saber por onde começar. A casa que nos abrigou, e que abrigou muitos dos nossos anseios, medos, nosso otimismo e pessimismo, está com seus dias contatos.

Quando as primeiras tratativas da Arena se aventaram, no longínquo 2006, o futuro ainda parecia distante, incerto, nebuloso... Mas o que estava lá, adiante, agora está ali, na nossa esquina, aguardando apenas alguns poucos passos para o inevitável. O Olímpico será demolido, e talvez uma parte do coração de cada gremista seja levada junto, entre a poeira e os escombros. "Do pó viestes, ao pó voltarás", nada pode ser tão verdadeiro. Construído em meio à uma mobilização fenomenal da torcida pelos quatro cantos do Rio Grande, será este o inevitável e inapelável fim do Olímpico.

Quando penso no Olímpico, são dezenas, centenas de memórias que vêm à mente, e o mesmo sentimento eu tenho por certo que habita o íntimo dos corações de todos que escolheram o Grêmio, ou que por ele foram escolhidos... E é exatamente disto que é feito o Estádio Olímpico Monumental. Esqueçam o concreto, os tijolos, a brita, o cimento. O Olímpico é construído de histórias, e histórias são sempre construídas de gente, de pessoas, de sentimento... Quantas foram as histórias vividas dentro, e por vezes fora, daquelas quatro linhas desenhadas com a cal? E não só bonitas, mas as feias também, porque nem só de sucessos é erigida uma grande história. O fracasso é por vezes a cola que unta um momento de glória ao próximo.

E as histórias que ouvimos e passamos às futuras gerações não se encerrarão embaixo daqueles escombros. O Olímpico deixa de ser um Estádio para passar à condição de História. E elas são feitas de gente. A primeira daquelas histórias épicas escutei antes mesmo de sentar a bunda a primeira vez no concreto do Olímpico. Meu pai, um gremista de quatro costados, assim como meus tios Milton e Guido, sempre contavam. O apito final de um fatídico Gre-Nal no lingínquo 1977, ano em que o Grêmio amargava oito anos na fila do Gauchão. Mas não desta vez. Pelos pés de Catimba, o André, estava dado o sinal. Os três invadiriam o gramado, inadvertidamente, junto com uma multidão que parecia saber que os anos vindouros reservavam grandes realizações. Um tufo de grama, à guisa de troféu, foi plantado no quintal de outro "velho casarão".

Nem só de Grêmio se alimentam as histórias deste estádio. Outra recordação forte foi um jogo da Seleção, válido pelas eliminatórias da Copa de 2002. Uma seleção cambaleante, comandada pelo recém contratado técnico Felipão, mais conhecido como DEUS, escolhera nada mais do que estrategicamente os pampas gaúchos para amealhar algum apoio vindo das arquibancadas. Convocados Tinga e Eduardo Costa, do Grêmio, com o mesmo propósito. O apoio veio e a vitória contra a Seleção Paraguaia pavimentou o caminho até a Copa do Mundo, na Ásia, onde por duas vezes Luiz Felipe esteve às portas da glória, com Grêmio e Palmeiras.

Outro jogo eu não me recordo com exatidão. Mas foi contra o Atlético/MG, no início da Era ISL. Fomos de Camarote, eu, Thiago e o Rugardo, não sem antes encher o pandulho na Churrascaria Mosqueteiro. Eu não lembro sequer do placar do jogo, mas à julgar pela história, não deve ter sido alvissareiro, época de Amatos e Astradas, muita grife e pouco resultado.

Em 2005, devo ter ido à quase todos os jogos. Num deles, Grêmio e Avaí, como gatos, como ninjas, nos esgueiramos para dentro da Sala de Entrevistas, e continuamos, rumo ao gramado. A oportunidade de ver tudo dali de dentro é única. As arquibancadas vazias, mas a energia estava ali. Com meu cunhado e outros, tiramos fotos na casamata, rolei no gramado. Arrepiante. Na volta, tivemos de passar por dentro do vestiário, sob o olhar ameaçador dos seguranças. Sim, srtas., tudo à mostra, hehe. Novamente nos esgueiramos para fora, onde ainda alguns jogadores davam entrevistas.

No ano seguinte, após uma campanha vacilante, o time toma corpo, recuperado junto com a torcida. Num dos jogos, já no returno, Grêmio e São Paulo, nada menos que o líder e futuro campeão. Jogamos como nunca, e empatamos. Mas um empate do qual pudemos degustar. Com menos de 1 minuto de jogo, Danilo estufava as redes, diante de milhares de gremistas incrédulos, e anestesiados. Por quase um minuto, o silêncio parecia inquebrantável. Mas como que por um chamado do inconsciente coletivo, toda a torcida começa à gritar... "Grêmio, Grêmio", em uníssono, empurrando o time à frente. A virada parecia questão de tempo, mas o empate com Hugo em lançamento de Tcheco parecia um resultado digno.

Mais adiante, em 2007, dois jogos absolutamente inesquecíveis. Com a mesma receita que o levara às grandes glórias, contando com nomes como Patrício e William, o Grêmio eliminava o São Paulo da Libertadores, em casa, com um sonoro 2x0, e nas Semi-Finais, na primeira partida, sem que sequer um chute do adversário ameaçasse a meta de Saja, dava um salto gigante para chegar às finais do certame. Dois jogos inesquecíveis pelo brilhantismo e valentia com que se portou a equipe.



Em 2008, ano memorável, foi também a primeira e única vez que fui na Geral. Grêmio 2x1 Coritiba, com a companhia da gremista de primeira hora, Luíza.


Rememoro também o fatídico 12 de Novembro de 1998. Ora classificado, ora desclassificado, o jogo contra a Portuguesa foi sem dúvida um dos mais tensos do torneio. Tendo que torcer por vários resultados paralelos, a vitória por 4x2 levaria ao confronto contra o Corinthians, que nos eliminaria, não sem muita luta. Eram os tempos do Juarez bigodudo. Saudosos tempos.

São tantos momentos que já nem me recordo. Mas como disse, é disso que são construídas as histórias. Daquelas trajetórias particulares que se travam no gramado, opondo duas equipes, e das que se prostam, impotente, do lado de fora. Mas a história não vai parar. E para o Olímpico, chegou o suspiro final. Quando o apito final pôr fim ao Gre-Nal de nº 394, estará findada a história que começara 58 anos e alguns meses antes. O primeiro gol foi de Vitor, pelo Grêmio, e último, de quem será? Muito mais importante do que o Jogo de Inauguração da Arena, será o último jogo do Olímpico, e nada poderá ser mais emblemático do que encerrar a história por meio de um Gre-Nal. Que os Deuses do Futebol permitam que a vitória sele o destino.

Mas porque mais importante? Porque quando o derradeiro momento do Olímpico tiver lugar, aí então estaremos escrevendo uma nova história, a história da Arena, da qual faremos parte como os que fizeram parte dos primeiros anos do clube no Largo dos Campeões, nº 1. E quem sabe quais as histórias que algum abnegado gremista poderá escrever quando o inevitável vier para a Arena, daqui outros 60 anos, ou mais?

"E na hora derradeira que eu mereça
Ver o sol alegretense entardecer
Como os potros vou virar minha cabeça
Para os pagos no momento de morrer."
Em 2 de Dezembro, quando terei festejado meus 26 anos, nenhum caminho mais levará ao Olímpico. Monumental mesmo só nossa saudade do Velho Casarão.

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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A falácia da Consumação e Meia Entrada

O Duda Calvin, conhecido por ser vocalista da Tequila Baby, possui uma coluna no site Rock Gaúcho, e a desta semana têm um tema interessantíssimo: a famigerada Meia Entrada.

Parafraseando Bobby Fields, "concebida como um Anjo Gabriel, metamorfoseou-se em um Frankenstein". Mais uma da série "O Estado abanando com o chapéu alheio", a lei prevê que estudantes devidamente matriculados tenham desconto de 50% na compra de ingressos para eventos culturais, musicais e assemelhados.

O populismo dos inventores desta aberração desconhece as mais básicas e primárias leis da economia. Mas o Duda, talvez com as inferências que a experiência de um leigo que ao longo de sua trajetória organizou centenas ou milhares de shows, sabe. Segue trecho.
"O Organizador do show paga o cachê da banda, o aluguel da casa de espetáculo, o aluguel de equipamento de som, de palco e Luz, a divulgação, o Hotel, a alimentação, e o transporte do artista

Os custos são transferidos pro preço do Ingresso, a margem de lucro também, claro, digamos que o ingresso pro Show saiu R$50,00
calculando TUDO ISSO, aí vem uma lei e IMPÕE: MEIA ENTRADA PARA ESTUDANTES
OK, o Ingresso vai para R$25,00 Estudantes e R$50,00 para o Resto do Povo, Correto?
NÃO!!!! TISC...TISC... TISC... Você foi ENGANADO DE NOVO CARO ELEITOR.

Os custos dos shows NÃO FORAM REDUZIDOS PELA METADE, o que o contratante faz para poder continuar fazendo o show?
Aumenta o ingresso para R$100,00
Aí o estudante paga os mesmos R$50,00 que tinha que pagar antes, mas o POVO, paga R$100,00"
Ao abanar com o chapéu dos outros (neste caso, os consumidores não contemplados com as isenções), o governo, cheio de boas inteções (parecem boas, sim, como farto está o Inferno delas, mas ingênuas) acaba prejudicando uns em benefício de outros.

Uso isto para puxar outro assunto. A proibição da Consumação Mínima, que talvez seja mais acintosa. Para "defender" o consumidor, o Código de Defesa do Consumidor considera tal cobrança "abusiva" (art. 39), porque vincula a entrada do consumidor à consumo mínimo. mas vamos aos FATOS. O consumidor continua pagando ingresso para entrar nestes locais: boates, bares, etc. Porém, não têm mais o direito à consumo algum. Antes tu pagava R$ 10,00, supondo, e podia consumir duas cervejas de R$ 5,00. Se bebesse duas cervejas, só gastaria os R$ 10,00. Agora, para beber as mesmas duas cervejas, gastaria R$ 20,00. Mas espera um momento, que raio de Defesa do Consumidor é essa que LESA o consumidor...

Bom, o consumidor não pode mais beber a tal cerveja, vai ser parado na Blitz da Balada Segura... Maldito politicamente correto.

Leia a coluna do Duda Calvin clicando aqui.

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domingo, 9 de setembro de 2012

O Tempo é o Senhor da Razão.


Em 2010, houve grande comoção nacional, tanto da imprensa quanto dos torcedores, pela convocação de Ganso e Neymar para a Copa do Mundo.

O técnico brasileiro não os levou em razão da inexperiência dos dois jogadores, que estavam tendo destaque no futebol nacional há apenas seis meses. Outra justificativa do técnico foi que no ano anterior tanto Neymar no mundial Sub-17, como Ganso no mundial Sub-20 não desempenharam um grande futebol, de tal forma que provavelmente não conseguiriam ajudar muito em um campeonato de um nível imensamente superior como a Copa do Mundo.

Muito se falou que se tivesse algum deles o país poderia ser campeão e o técnico foi massacrado. Na entrevista após a convocação pra Copa, metade das perguntas foi sobre a dupla.
Para o lugar que Neymar poderia ocupar o técnico optou por levar Nilmar que vinha constantemente sendo convocado. Muitos se enganam ao citar Grafite, mas o jogador na época do Wolfsburg foi convocado para ser reserva de Luís Fabiano como centroavante.

Na posição de Ganso, o reserva imediato de Kaká era Júlio Batista, que desde 2007 sempre correspondeu com bom futebol quando precisou ser utilizado. Seria uma grande injustiça do comandante da seleção tirá-lo depois de tanto ajudá-lo no caminho até chegar à África do Sul.

Após a Copa do Mundo a dupla santista passou a ser titular da seleção, algo que seria natural, visto que seriam mais quatro anos para amadurecimento e melhora técnica de ambos até a chegada da Copa de 2014.
Nos primeiros amistosos, a dupla foi bem e todos esperavam que fossem os principais jogadores da seleção de Mano Menezes. No entanto, veio a primeira decepção na Copa América, em que a dupla foi bem apenas em um dos quatro jogos da seleção (contra o Equador, o mais fraco do grupo).

Um ano se passou e chegou a Olimpíada de Londres. Neymar continuava em destaque no futebol nacional, embora nem sempre correspondendo à altura na seleção. Ganso, por sua vez, em meio a problemas de contusão e incertezas sobre seu futuro no Santos, chegou em baixa, tendo perdido a titularidade para Oscar após a sequência de amistosos realizados em junho.

Ganso pouco fez quando entrou em campo em Londres, além de demonstrar uma certa falta de vontade. Neymar, por sua vez, era a principal estrela da equipe, mas após se destacar nos primeiros jogos sumiu nos momentos mais importantes da equipe e nada fez para mudar a derrota contra o México.

Ontem a torcida paulista perdeu a paciência com Neymar. As quedas acrobáticas do jogador deixaram de irritar apenas os adversários e passaram a irritar sua própria torcida. Ganso novamente está machucado e continua com o futuro indefinido na equipe da Vila Belmiro.

O que se vê é que, dois anos após a Copa do Mundo, a dupla que foi tão aclamada como solução para os problemas de Dunga não consegue ajudar a seleção a evoluir, mesmo enfrentando adversários de baixa qualidade como a África do Sul. Por isso, não há como se negar que o treinador de 2010 tinha razão em não levar a dupla para a Copa, pois embora sejam bons jogadores, mesmo dois anos depois demonstram não serem capazes de fazer com que o Brasil se torne uma equipe temida pelos adversários.

Por: Lívio Manzano
, da fanpage Doentes por Futebol.


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quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A Garrafa de Whisky é a Melhor Amiga do Homem

“O whisky é o melhor amigo do homem, é o cachorro engarrafado”
Antônio Carlos Jobim


"Eu prefiro a garrafa de whisky que está pela metade. A lacrada traz o tão esperado sabor que encontrará minha boca, o amargo que me dá prazer e me satisfaz. Mas ela não tem uma coisa, algo que torna o beber tão complexo e importante, falta à garrafa lacrada boas histórias. E não se deve começar uma história, sem terminar outra.

A metade vazia da garrafa é preenchida por uma gama de acontecimentos, risadas, mentiras, foras, sexo. E é por isso que ela tem mais valor, quanto menos whisky tem em uma garrafa, mais vida ela tem. Dentro da garrafa se misturam memórias e álcool e por isso que às vezes perdemos um pouco, dos dois. Por vezes esquecemos o que aconteceu, se deixamos cair o copo ou não, se nossa cara está doendo por causa de um tapa, mas a garrafa sabe.

Ah, se as garrafas pudessem falar! Se algum geniozinho inventasse uma forma delas nos relatarem o que aconteceu. Eu acharia tantas carteiras perdidas, descobriria tantas mentiras sobre as “quase modelos da Victoria´s Secret” que meus amigos ficavam. Seria engraçado desmascará-los com os depoimentos da garrafa, porém, ficaria em segredo, somente um motivo para eu sacanear, não entregaria meus amigos por aí. Se esquecêssemos do que aconteceu, bastava perguntar à garrafa e ela iria contar tudo.

Contar tudo. Isso poderia ser um perigo. E se as mulheres ficassem melhores amigas das garrafas? Quando o seu Antônio acordasse, a dona Luciana já saberia de tudo. Não teve reunião, happy hour com os investidores japoneses é o caralho e quem é Cláudia? Até o pobre Antônio conseguir reunir imaginação para explicar tudo, a garrafa já teria arruinado seu casamento. Pensando bem, as coisas como são estão perfeitas. Um bom whisky, algumas memórias e a garrafa pela metade, calada."

Baita texto retirado do blog Testosterona, do articulista André Filho. Para acessar, clique aqui.

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sábado, 28 de julho de 2012

Maioridade Penal, Voto e a Aberração Legal

A Maioridade Penal, bem como a Pena Capital, são temas tão delicados quanto dogmáticos. Alguns dos que defendem a manutenção do que aí está são verdadeiros humanistas, embuídos do legítimo espírito da justiça.

Outros, porém, são apenas uns bundões e charlatães, sem vergonhas!

O que me parece absolutamente factual é que é cada vez mais inacetável que um menor de idade seja beneficiado do primeiro ao quinto pela lei, não importando a brutalidade do crime que cometa, tendo sua ficha corrida preservada, e sem receber uma punição à altura.

É certo que alguns argumentarão que menores são incapazes de responder pelos seus atos, e até há compreensão. Mas a realidade é que a capacidade de discernimento de um ser humano não se altera do preto para o branco, mas sim podemos dizer que evolue numa escala. Portanto, onde está o alcance da Lei - que deveria ter como princípio moral básico o Justo, a Justiça - quando não é possível adequá-la à realidade? Não se pode achar que até os 17 anos e 364 dias a pessoa é absolutamente incapaz de responder por seus atos, e magicamente ao completar o décimo oitavo ano de vida o indivíduo ganhe tal clarividência.

Aí entra a questão do Voto. Sim, do voto. Um jovem de 16 anos é considerado apto à fazer uso do voto, portanto pressupõe-se que ele é capaz de discernir entre um candidato e outro. Porém, ele não é considerado capaz de discernir entre o certo e o errado.

Há a idéia de que é socialmente injusto julgar e punir um jovem que cometeu um crime, e que tal crime é apenas uma desordem social. Tal como acima, o alcance da Lei é claramente prejudicado por uma generalização que beneficia os mau intencionados. "Tratar igualmente aos iguais, e desigualmente aos desiguais", não é este um dos princípios jurídicos? Pois bem, estamos tratando igualmente os desiguais. Igualmente o jovem que se envolve numa briga, numa confusão, ao jovem que friamente calcula o assasinato de outrém.

A sociedade precisa se questionar se continuará protegendo alguns poucos, em nome de um "bem maior", ou se terá a coragem e grandeza de criar meios de dar "A Cesar o que é de Cesar"?! No honesto e nobre intuito de proteger a maioria, o problema é a generalização. Mas vejamos o que ocorre em outros países. Na Europa, a maioridade penal varia entre os 13 e 16 anos, com exceção da Escócia, onde a idade mínima é de 8 anos, e da Inglaterra e País de Gales, onde é de 10 anos. Nestes países, existe uma legislação ESPECIAL para abarcar casos que a legislação tradicional não consegue suprir. Trazendo para a realidade brasileira, o Estatuto da Criança e do Adolescente é uma legislação considerada avançada, mas será que ela é suficiente em TODOS os casos, ou casos de EXCEÇÃO exigem providências de EXCEÇÃO?

Há alguns dias, um adolescente de 14 anos em Novo Hamburgo matou pelo menos três pessoas. Será que podemos enquadrá-lo no ECA, junto com alguns usuários de crack, batedores de carteiras e ladrões de rádios de carro? Ou este é um caso de esceção? O importante é que os oposicionistas da redução da maioridade penal compreendam que a intenção de quem a defende não é a de brutalizar o atendimento aos menores, mas municiar as autoridades policiais e judiciárias de MEIOS de julgar adequadamente criminosos de alto potencial destrutivo, de acordo com este potencial, e não somente pela idade. E que estes casos são, via de regra, as exceções.

Uma das teses que me parece mais adequada é a da Emancipação Penal, por meio da qual o MP pode pedir a emancipação do réu para julgá-lo como adulto, à semelhança do que ocorre em alguns estados nos Estados Unidos. É possívelmente a melhor forma de compatibilizar as políticas de Proteção Social do ECA à capacidade de lidar com casos de exceção.

Agora, se tudo isso não for possível, que ao menos acabem com a aberração legal de considerar um menor apto à votar, mas incapaz de discernir entre o certo e o errado. Voto só para maiores de 18 JÁ!!!

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domingo, 22 de julho de 2012

Sobre Armas, Leis e Loucos

Como sempre acontece, o mais recente ataque contra um grupo de vítimas indefesas, desta vez em um cinema nos EUA, onde 12 pessoas foram mortas, reacende a sanha dos desarmamentistas americanos, dentre os quais o prefeito de Nova Iorque, Mike Bloomberg, um dos expoentes políticos americanos que acham terem nascido com o dom de saber o que é melhor para mundo todo.
No Brasil, via de regra, aqueles que pregam o desarmamento como forma de impedir tais massacres se assanham rapidamente ao sentirem o cheiro de sangue inocente, impelidos quase sempre pelo antiamericanismo tupiniquim, mas invariavelmente esquecendo - ou fazendo questão  de esquecer - que tais acontecimentos não são, nem de longe, exclusividade norte-americana.
Em 1999, um louco invadiu um cinema de São Paulo e abriu fogo usando uma submetralhadora comprada poucos dias antes em uma favela da capital – arma ilegal, evidentemente. Matou três pessoas e feriu outras 5; e Só não houve mais vítimas porque um herói anônimo pulou sobre ele e o desarmou antes que recarregasse sua arma. Em 1997, Fernando Henrique Cardoso havia transformado o porte ilegal de armas em crime, aumentando muito as restrições relativas à posse e ao porte de armas no Brasil.
Japão, 2001. Um homem com problemas mentais invade uma escola, mata oito crianças e fere outras 13 usando uma faca. O massacre que assustou o Japão não foi o primeiro e não seria o último. A posse e o porte de armas para civis são proibidos no Japão desde o século XV.
Em 2010, em  Naping (China), um desequilibrado mental invadiu uma escola primária e, também usando uma faca, matou oito crianças e feriu gravemente outras cinco. Entre 2010 e 2011, outras 116 crianças e adultos seriam vítimas de ataques semelhantes na China Comunista, fazendo com que o governo proibisse a divulgação de outros ataques para evitar os chamados “copiadores”. Na China, as armas de fogo são terminantemente proibidas para os cidadãos.
Cumbria, Inglaterra, 2010. Um homem, durante um surto psicótico, mata aleatoriamente 12 pessoas e fere outras 11. Foi acompanho por quilômetros por uma viatura de polícia, cujos policiais estavam também desarmados e não puderam fazer nada. Em 1997, a Inglaterra praticamente proibiu as armas particulares para seus cidadãos.
Em 2011, mais um massacre. Desta vez um louco invadiu uma escola no Rio de Janeiro e assassinou friamente 12 adolescentes. A carnificina só parou quando ele foi baleado por um policial que invadiu a escola. Sete anos antes era aprovado o chamado “Estatuto do Desarmamento”, que proibia o porte de armas e criava restrições quase intransponíveis à compra de uma arma legal.
Casos semelhantes aconteceram em diversos outros países, entre eles os pacíficos Canadá e Finlândia. Em todos, houve premeditação e, como autores, viram-se pessoas com distúrbios mentais, que utilizaram as armas que tinham à disposição ou foram capazes de colocar às mãos. Também em todos os casos, a lei, mais ou menos restritiva, de acesso às armas não foi capaz de impedir as mortes, simplesmente porque nenhuma das armas foi usada legalmente.
Recorrer ao desarmamento quando um caso assim acontece é fugir para o simplismo, é apelar, muitas vezes, para o confortável discurso fácil que joga nas armas o poder sobrenatural de agir por conta própria. Ao mesmo tempo, é enterrar a cabeça no chão e negar a existência de pessoas más e insanas, capazes de matar crianças inocentes sem qualquer remorso ou arrependimento. É negar a maldade, negar a existência de lobos no meio das pacatas ovelhas. É, em última análise, balir discursos pacifistas, na defesa pueril de leis restritivas, enquanto os lobos-loucos ignoram sua existência e se preparam para o banquete sangrento.
O primeiro ministro inglês, após o citado ataque de Cumbria, resumiu magistralmente sua posição ao ser inquirido sobre mais restrições às armas: “não é possível legislar sobre a loucura”. E não é, mesmo. 

Por Bene Barbosa - Presidente do Movimento Viva Brasil, bacharel em direito e especialista em segurança pública.


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domingo, 17 de junho de 2012

Identidade, História e Tradição JOGADOS NO LIXO!!!

O Grêmio não vence nada há exatos 11 anos. Há exatos 11 anos, vencia o Corinthians em São Paulo, após um resultado de 2x2 que todos sacramentaram como insustentável em terras paulistanas...

O problema do Grêmio é Odone, segundo alguns. Como era Duda Kroeff, e Odone de novo, e Obino, e Guerreiro, e Cacalo. Salva-se a única unanimidade: Fábio André Koff, que cunhou a famosa frase, "o Grêmio não é um time de futebol, o Grêmio é uma idéia".

Para outros, o problema é a falta de alento, é Marco Antônio, é André Lima, é Pará, é Werley, é Victor, é Luxemburgo, é Pelaipe... Já foi Caio Jr., Roth, Vagner Mancini, Edinho, Helio dos Anjos, Lazaroni, Plein... Já foram André Krieger, Meira, Saul Berdichevski, Antônio Vicente Martins, Renato Moreira...

O problema é maior, claro que é muito maior... Contratar jogadores desse naipe é conseqüência de um cube que se desligou de sua história, que, perdoe o termo, caga e mija em cima de sua história. Um clube que contrata um técnico que não têm qualquer identificação com o clube e sua história, que sempre que pôde tentou desmerecer e denegrir o Grêmio (e gabava-se de criticar o "estilo Grêmio" de jogar futebol, objetivo, aguerrido, mecânico, por vezes violento), é um clube que divorciou-se de sua história, VENDEU-SE à sua antítese.

Luxemburgo é a antítese do Grêmio, Grêmio enquanto idéia, filosofia. Ao divorciar-se de sua história, independente dos resultados de campo, fomos derrotados, IDEOLOGICAMENTE derrotados pelos que nos opunham. Sim, houve quem nos opusesse, filosófica e ideológicamente, pois se éramos os representantes do "futebol feio", nossa antítese eram os representantes do "futebol arte". Estes últimos nos derrotaram fragorosamente, sem que um único "tiro" fosse disparado...

Perdemos a pior das batalhas, a batalha de idéias, e essa é, para mim, a batalha mais dura e triste de ser perdida...

Ao se desligar de sua história, torna-se incapaz de aprender com ela. E incapaz de aprender com sua história, encontraremos novamente a nossa sina.

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quinta-feira, 14 de junho de 2012

Faith in Humanity: Restored

Vídeo da Coca-Cola, com imagens de Câmaras de Segurança.


Fonte: 9GAG.

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sábado, 26 de maio de 2012

The Rolling Stones: 50 Anos Na Estrada

Quando lhe perguntam sua idade e a resposta é 49 anos, algumas pessoas pensam "Puxa vida, só mais um tiozão". Agora, experimente aguardar um ano e responder "Tenho meio século de vida". Instintivamente, as pessoas lhe terão como exemplo de sabedoria (mesmo que seja aquela de boteco).

Rolling Stones nos primeiros anos.

Ainda mais quando se chega à plenitude de cinco décadas bem vividas com saúde e uma vida ativa. Ser cinqüentão não é para qualquer um. Mas é para eles. Há 50 anos atrás, aos vinte e cinco dias do mês de maio, na Londres de 1962, estava criada aquela que seria uma das mais célebres e longevas bandas dos primórdios do Rock mundial: Os Rolling Stones, com Mick Jagger, Keith Richards, Ian Stewart, Brian Jones e Bill Wyman.



Mixed Emotions - Steel Wheel (1989)

A competição com os garotos de Liverpool foi dura - talvez a única competição real em termos de vendagem com os Beatles foi dos Beach Boys, e por um efêmero espaço de tempo -, mas os Stones estavam preparados, pelo próprio mérito musical, à ombreá-los na história do Rock and Roll. Enquanto os Beatles surfaram nas ondas do Rock and Roll e do Rockabilly dos anos 50, os Stones pegaram aquele som e o recrudesceram: as vertentes do Blues e do R&B era mais claras e profundas, fazendo um som mais áspero. 


Play With Fire - Out Of Our Hads (1965)

Daqueles gloriosos anos 60, quando o Rock chegava à sua Era de Ouro, poucas bandas sobraram (The Who, The Doors, The Beatles e Led Zeppelin já acabaram...), e Stones é uma delas. O que mais impressiona é o gigantismo do trabalho deles. São 24 álbuns de estúdio, totalizando mais de 100 Singles lançados, e mais de 200 milhões de álbuns vendidos. E eles não pararam de produzir música de qualidade. Dos anos 80 paracá, pelo menos um bom apanhado de hits. "Start Me Up", de 1981, "Undercover of The Night", de 1983, "Mixed Emotions", de 1989, "Love Is Strong", de 1994, "Anybody Seen My Baby", de 1997, e "Streets of Love", de 2005, além de "Don't Stop", do álbum comemorativo "Forty Licks", dos 40 anos da banda.



Love Is Strong - Voodoo Lounge (1994)

Aliás, um espetacular disco duplo, com nada menos do que 36 grandes clássicos da banda, além de quatro faixas inéditas, "Keys do Your Love", "Stealing My Heart" e "Losing My Touch", além da mais famosa, "Don't Stop".



Don't Stop - Forty Licks (2002)

Bom, com estes cinqüenta anos nas costas, não me atreverei à contar a história deles. Este post é uma reverência. Confira algumas curiosidades sobre a banda:

- O nome da banda surgiu de uma música de Muddy Waters, um dos precursores do Rock, chamada "Rollin' Stone". Veja aqui;

- Jagger conta no livro "Sexo, Drogas e Rolling Stones" que sua experiência na Bahia, onde viu o batuque e tradicional lavagem das escadarias da Igreja do Bonfim, serviram de base percussiva e rítmica para a famosíssima "Simpathy for the Devil", tocada também por Guns n' Roses para o filme "Entrevista com o Vampiro";

- Em 1969, os Stones tocaram em Altamont, local onde muita confusão ocorreu, incluido a morte de um espectador pelos Hell's Angels, e o pagamento pelo show era inusitado: cerveja. Toda a cerveja que pudessem beber;

- Em 1963, assinaram seu primeiro contrato com a Decca Records, que tinha se transformado na piada do ano por recusarem um contrato com os Beatles;

- Bill Wyman era já experiente tocando na vida noturna de Londres, mas foi aceito na banda por um motivo inusitado: ele tinha mais de um amplificador;

- Muitos acreditam que a canção "Let it Bleed", de 1969, seja uma referência ou até satirização de "Let it Be", dos Beatles, mas embora a música dos Beatles tenha sido gravada antes, só foi lançada alguns poucos meses depois de "Let it Bleed".

- Jagger e Richards são os dois grandes parceiros de criação das músicas nos Stones, mas nem tudo começou assim. O primeiro single da banda foi um cover de "Come On", de Chuck Berry, e o segundo, uma gravação original de uma música escrita por Lennon e McCartney, "I Wanna Be Your Man".

- Os Stones foram homenageados em pelo menos duas canções famosíssimas. "Like a Rolling Stone", de 1966, de Bob Dylan (regravada pelo grupo em 1995, inclusa no álbum Stripped, e que os recolocou no topo das paradas), e também "C'era un ragazzo che come me", do italiano Gianni Morandi, de 1966, regravada em português pela banda da Jovem Guarda, Os Incríveis, e muitos anos depois pelos Engenheiros do Hawaii.

- O álbum de inéditas e a turnê dos 50 anos dos Stones ficaram sériamente ameaçadas pelo estremecimento da complicada relação entre Jagger e Richards. Isso porque no livro "Life", autobiográfico, Keith alega que era quase impossível conviver com Mick, que seu ega era muito grande. Apesar disso, a alegação formal é que Charlie Watts só entrou para a banda em 1963, e que esse seria o verdadeiro marco-zero dos Stones. Porém, os 40 anos foram comemorados em 2002, não em 2003.

- Segundo relatos, a reputação de "bad boys" dos Stones foi um acaso. Em 1966, eles foram indenizados em US$ 4 Mi, uma quantia significativa na época, de 40 hotéis que se recusaram à hospedá-los pelo cartaz de "garotos problema". Seu agente já utilizava na época como um slogan oficioso "Você deixaria sua filha sair com um Stone?"


- O símbolo da banda, a famosa "Língua e Boca", foi criado somente em 1971, por John Pasch.


"Tongue and Lips Design"

Como prova da longevidade e criatividade quase infindáveis da banda (certa vez, um médico especialista em dependência química disse que pela quantidade de cocaína cheirada por Richards, ele já deveria estar morto há 30 anos, e uma lenda urbana reza que nos anos 80 Richards trocou todo seu sangue para se livrar dos efeitos da droga), em 2011 o álbum de 1978, Some Girls, foi remasterizado e lançado novamente, com uma bonus track, "No Spare Parts", inédita, e que alçou à segunda posição do Billboard Hot Tracks.



No Spare Parts - Some Girls (Rerelease 2011)

Tentei não colocar só as músicas óbvias, como "(I Can't Get No) Satisfaction", "Brown Sugar", "Start Me Up", "Paint It Black", "It's Only Rock and Roll" e "Gimme Shelter". Faltou espaço para as excelentes, mas menos conhecidas "Streets of Love", "You Can't Always Get What You Want", "Keys To Your Love", "Beast of Burden" e "Any Body Seen My Baby". Mereceção post futuros. Espero que tenham gostado.

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