sábado, 14 de abril de 2012

Olha aqui ó, não vão me passar esse cachorro!

Seum cronista esportivo é moldado por seus chavões, então o cronismo esportivo gaúcho e brasileiro ficou mais pobre na madrugada deste Sábado.

Faleceu no Instituto de Cardiologia, onde estava internado, vitimado por uma parada cardíaca, Cláudio José Quintana Cabral, alcunhado de "Mestre Cabral" no meio esportivo.

Distanciado do Olimpo onde muitos cronistas julgam ou crêem estar, Cabral tinha uma relação de simplicidade e proximidade com seu fiel público. Enquanto muitos dos cronistas da nossa geração são pouco afeitos à conversa com os torcedores comuns, ele se mostrava aberto e até satisfeito em ter o contato de seus admiradores. Posto aqui uma imagem que mostra isso, pois me recordo bem quando meu amigo Vinícius ajudou à marcar este encontro, salvo engano, no Tirol (corrija-me se estiver errado, Vinícius), em Porto Alegre, onde jantaram e conversaram sobre imprensa e futebol.


Dono de uma carreira admirável, nas duas facetas do Cronismo Esportivo, foi influente dirigente dos "Mandarins Colorados", que comandariam o clube recém mudado para o Estádio Beira-Rio, após uma imbatível seqüencia de 12 vitórias do Grêmio em 13 Campeonatos Gaúchos.

Junto com outras importantes figuras, como Ibsen Pinheiro, eles levaram para o Inter uma nova filosofia de futebol, abandonando o "futebol arte" e segundo Luis Fernando Veríssimo, aprendendo a lição de outro mestre, o Mestre Osvaldo Rolla, sobre o futebol competitivo, o futebol força, e assim moldando as vitórias do clube colorado.

No outro lado das entrevistas coletivas, Cabral também tem uma profícua carreira jornalística. Formado em Ciências Políticas e Econômicas, foi setorista da France Presse, uma das maus conceituadas agências jornalísticas do Mundo, e dentre outras, das Rádios Guaíba, Gaúcha, onde participou do programa "Sala de Redação", uma referência, e desde 1995, retornando à Rádio Bandeirantes, onde permaneceu até hoje.

Sentiu-se mal nas primeiras horas do Sábado, internou-se, mas não resistiu à parada cardíaca fulminante. Sempre que se vai uma figura, permanece o seu legado, e nada poderá ser mais reconhecido em seu legado do que suas frases de efeito e chavões. Ficam aí embaixo algumas de que me lembro.

"O Ferdinand no Brasil, estaria jogando no Madureira."

"Adebayor é o Adão do Togo."

"Rooney é o Badico inglês."

 "O suicídio é um dever!

"Oremos..."

"Olha aqui ó, não vão me passar esse cachorro!"
 
"Quem pariu Mateus que o embale."
 
"Como treinador gosta de jogador ruim..."
 
"O presidente Obino está navegando na Lagoa dos Patos e procurando pelo Farol de Alexandria."
 
"Bahhhhhh..."
 
"Querem me enlouquecer"

Gostou? Compartilhe. Discordou? Comente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário