domingo, 20 de agosto de 2017

0016: Augustinus Weiss

Boa Tarde Galera,


Hoje a degustação foi diferente e muito especial. Trata-se da primeira leva da Augustinus Weiss, que produzi com meu sócio o grande Márcio Winter!


Como toda primeira produção, sofremos com imprevistos que não foram, obviamente, previstos de antemão. Principalmente problemas com a serpentina de resfriamento e com o fermanto. Naquele, um vazamento que obrigou a segurar a serpentina durante o processo para não vazar água para dentro do mosto. Neste, descobrimos posteriormente que o fermento proposto na receita podia causar uma acidez e adstringência indesejados.

Acreditamos, após o priming, que a carbonatação estaria prejudicada. Este hipotese foi descartada após servido o primeiro copo.

Carbonatação bastante interessante.

A acidez também foi amenizada após a maturação e ficou mais evidente principalmente no aroma e apenas residualmente no sabor, que não obstante ficou mais seco do que o recomendável..

Apesar disto, pode-se dizer que saiu uma boa cerveja e esperamos que possamos melhorar a receita nas próximas levas.

Ao ser servida, o creme diz de pronto a que veio. Espesso, duradouro, perolado, branco. Perfeito! A cor amarelo pálido e o líquido poderia apresentar maior turbidez, porém nada que comprometa o resultado final da aparência. Nota 4/5.

O aroma intenso sofre algum prejuízo da presença de notas ácidas, como comentamos acima. No entanto, podem se notar a presença de aromas de pão e cereais. Levemente adocicado. O lúpulo se mostra moderado, com notas cítricas principalmente como também florais. O levedo se manifesta mais na acidez e o álcool se mostra de leve a moderado. Apesar da intensidade da acidez, os problemas param por aí e ainda tem-se um resultado aceitável. Nota 5/10.

A presença da acidez no sabor foi mitigada pela maturação. Muito intenso e de longa duração. Destaca-se principalmente o doce do malte, com um toque seco da acidez e do álcool, porém o resultado final foi bem equilibrado. Nota 16/20.

A textura é cremosa de leve a moderado, com corpo médio. A carbonatação está excelente, o que deixa o líquido bem vívido, liberando seus aromas. O final é levemente adstringente, e bastante duradouro. Nota 3/5 para a sensação.

No conjunto, a cerveja perde um pouco por conta da excessiva acidez, mais destacada no aroma, porém permanece razoavelmente equilibrada e muito bem encaixada no estilo. Nota 7/10.

Nota Geral: 35/50.


Ficha Técnica Nome: Augustinus Weiss Fabricante: Augustinus Estilo: Weiss - 15A Gradação Alcoólica: N/D  


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domingo, 18 de junho de 2017

0015: Tupiniquim Red Ale



A coloração é bem avermelhada, entre o translúcio e opaco. A cor e a generosa e persistente espuma bege emprestam uma lindíssima aparência para esta Red Ale. Nota 5/5.
O aroma bastante marcante, ao contrário das colegas da marca Tupiniquim. Malte, caranelo, tostado invadiam o ambiente. Nota 7/10.
O sabor também marcante. Doce, maltado e tostado com toques mais suaves de café. Nota 14/20

A cerveja é moderadamente forte, com bom corpo e textura levemente cremosa. O álcool poderia ser mais presente mas dá uma sensação de equilíbrio. O retrogosto é duradouro porém leve. Nota 3/5.

No conjunto uma ótima cerveja, particularmente para dias de inverno. Poderia ser mais potente e com maior teor alcoólico. Mas equilibrada. Nota 6/10.

Nota Geral: 35/50.


Ficha Técnica
Nome: Red Ale Fabricante: Tupiniquim Estilo: Irish Red Ale - 9D Gradação Alcoólica: 4,5% ABV 


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0014: Tupiniquim Pilsen



A aparência é ótima, uma pilsen amarelo dourado, palha, bastante translúcida. Boa formação de espuma porém pouco duradoura.. Nota 4/5.

O aroma é bastante tímido, com presença mais marcante do malte e de biscoito. De muito leve, percebe-se o lúpulo. Nota 5/10.

Sabor muito agradável, marcante apesar de leve, porém demasiado efêmero. Dulçor e amargor bastante balanceados. Nota 12/20.

Apesar da carbonatação aquém do esperado, com formação de bolhas de médio para baixo e espuma pouco duradoura, a sensação de drinkability é excelente. Retrogosto leve e passageiro, marcado pelo malte. Nota 3/5.

O Conjunto é médio. Cerveja leve com personalidade apenas média mas com alta drinkability. Podia mais. Nota 5/10.

Nota Geral: 24/50.




Ficha Técnica
Nome: Pilsen Fabricante: Tupiniquim Estilo: German Pilsner - 2A Gradação Alcoólica: 5,0% ABV 


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domingo, 21 de maio de 2017

0013: Tupiniquim Weiss

A Tupiniquim Weiss foi a próxima vítima.



Logo na aparência já tivemos um briefing do que viria pela frente. Uma espuma GIGANTESCA a tal ponto que dificulta inclusive servir a cerveja no copo. A espuma apresenta cor branca e é bastante cremosa. O líquido é claro com cor em amarelo fraco e com muitas borbulhas. Nota 2/5.

O aroma é relativamente fraco, com notas cítricas, principalmente, bem como presença do malte. Como pede o estilo porém mais fraco. Nota 3/10.

A esperança estava no sabor, que teve duração média, porém com equilíbrio leve entre o dulçor do malte e o amargo do lúpulo. Até agora, pelo equilíbrio a melhor faceta desta cerveja. Nota 10/20.

A cerveja apresentou corpo leve, com textura mais aguada, carbonatação borbulhante, e final fugaz e adstringente. A nota da sensação é 3/5.

No geral, o conjunto não é ruim. Prejudicado pela carbonatação excessiva (e, a julgar pelas experiências anteriores, uma característica normal desta cerveja) e demasiada leveza. Poderia apresentar melhores resultados. Nota 4/10.


Nota Geral: 22/50.

Ficha Técnica
Nome: Weiss Fabricante: Tupiniquim Estilo: Weizen/Weissbier - 15A Gradação Alcoólica: 5,5% ABV


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0012: Tupiniquim Pale Ale

Depois de muito tempo, fui inventar de fazer minhas degustações.

Com um Kit da Tupiniquim: uma Pale Ale, uma Pilsen, uma Red Ale e uma Weiss. A Tupiniquim é uma não tão nova cervejaria de Porto Alegre, que hoje já tem um cartel de cervejas bem estensa.

Comecemos pela Pale Ale. Ao abrir a garrafa, o aroma não se manifestou muito, mas sigamos.



Quando cheio o copo, a aparência surpeendeu. Uma Pale Ale com coloração ambar mas no limite do avermelhado de uma Red Ale. O creme, mais ou menos espumoso e perolado, possui côr bege, mas de formação e duração apenas média. Formação de um tímido porém bonito perlage. Nota 4/5.

No nariz, o aroma ficou um pouco confuso. Pôde-se sentir o malte em notas de pão, mas um pouco tímido. O álcool se destaca, prejudicando o olfato dos aromas da cerveja. Também presente o lúpulo, medianamente, com mais toques florais. Nota 4/10.

O sabor bastante leve, novamente prejudicado pelo forte destaque do álcool, um pouco desbalanceado. Duração média na boca, com destaque para o amargor, típico deste estilo. Nota 12/20.

A sensação no paladar é de leve a médio, com textura mais aguada e alcoólica. A carbonatação é vívida, o que não se traduz em creme duradouro nem em dispersão de aromas.
O final foi de médio a duradouro, com retrogosto amargo presente e bastante apreciável. Nota 3/5.

O conjunto não ficou equilibrado, em parte pelo álcool desbalanceado, em parte pela fraqueza de malte e lúpulo. Ainda assim, é uma cerveja relativamente boa dentro do estilo. Nota 5/10.

Nota Final: 28/50.


Ficha Técnica
Nome: Pale Ale Fabricante: Tupiniquim Estilo: American Pale Ale - 10A (BJCP) Gradação Alcoólica: 4,9% ABV

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terça-feira, 21 de abril de 2015

0011: Coruja Baca, mas sem o gole pro santo.

Neste domingo de Feriadão, na companhia da patroa, resolvi eliminar o estoque de cervejas para provar. Já fazia um ano da última postagem, então estava mais do que na hora.

A primeira postagem da série vai para uma cerveja bastante especial. Explico. Quando surgiu a cervejaria Coruja, eles fabricavam dois tipos de Premium American Lagers, a Viva e a Extra Viva, engarrafadas numa garrafa feita para parecer daquelas de remédio antigo e não pasteurizadas, de modo que precisavam de contínua refrigeração.

E são excelentes cervejas. Quando a cervejaria resolveu diversificar, lançou uma edição chamada "Fora de Série", contando com elementos diferentes nas receitas e nomes chamativos.

A primeira foi precisamente a Baca, Amber Lager com adição de Pitanga. Vamos aos resultados!

A cor amarelo ouro escuro se destacava de pronto, com boa turbidez, porém com baixa formação de espuma. De um modo geral a aparência parece ser um ponto forte da cerveja. Nota 4/5.

O aroma não acompanhou. Sobrepunha-se o maltado, o doce. A fruta porém não parecia estar ali. O aroma era interessante mas pouco potente. Nota 5/10.

O doce também estava presente, porém com mais intensidade, no sabor. Cerveja bastante maltada, seca, possivelmente em virtude da torrefação do malte. Mais uma vez não estava a pitanga lá. Porém o sabor estava em linha com o estilo. Ponto positivo. Nota 14/20.

O sabor seco conferia certa adstringência, que beneficiava o retrogosto, curto mas com boa intensidade do malte. Embora não muito carbonatada, o corpo mais consistente sugeria boa carga de malte. A sensação foi em geral positiva. Nota 3/5.

De um modo geral, a cerveja é o que se espera no estilo Amber Lager. Embora perca pontos pela timidez na presença da pitanga, que deveria ser o diferencial, é uma cerveja honesta e gostosa. Nota 4/10, que poderia ser melhor caso a pitanga estivesse lá de verdade.

Nota final 30/50.




Ficha Técnica
Nome: Baca Fabricante: Coruja Estilo: Viena Lager - 3A ou Fruit Beer - 20 (BJCP) Gradação Alcoólica: 5,7% ABV

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domingo, 11 de maio de 2014

Como são feitas as Propagandas Eleitorais!

Eu já tinha visto dois dos três vídeos, mas esses dias a Folha Política colocou os três juntos e decidi postar aqui também.

Feitos por humoristas, captaram a essência das propagandas eleitorais, haja (falta) de criatividade...

Como fazer uma propaganda eleitoral (Pepe Medina)



Jingles que só falam a verdade (Marcelo Adnet)



Programa Político (Porta dos Fundos)



Fonte: Folha Política

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sábado, 29 de março de 2014

Auf Wiedersehen, Kombi! ou o último desejo de um homem

Como vocês devem saber, a Kombi deixou, finalmente, de ser fabricada. Representante do Wirtschaftwunder de Erhard e Adenauer, junto com o Fusca, foi símbolo de uma longa era de prosperidade e estabilidade para o povo alemão. Na verdade, por onde tenha passado, a Kombi, que adotou como nome um pedaço do apelido alemão, "kombinationsfahrzeug", ou seja, "combinação de veículos". Isso porque a ideia da perua veio a adotar a plataforma do Typ1, o Fusca, fazendo da Kombi o Typ2.

Reconhecida pela robustez e durabilidade, pelo preço módico de aquisição e manutenção e pela simplicidade e capacidade interna, a idosa Kombi permanecia fabricada no Brasil fazendo frente à netos muito mais jovens e mais modernos. Mas o tempo chega para todos e a impossibilidade de cumprir novos requisitos de segurança finalmente decretou o fim de uma era. Chegou a hora do merecido descanso.

Assim, a Volks colocou no ar uma belíssima propaganda fazendo de sua particular reverência a reverência de milhares (ou milhões) numa ação muito bacana da marca.

Auf Wiedersehen, Kombi!



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domingo, 23 de março de 2014

0010: Pale Ale da Bierland, "Terra da Cerveja"

Nesse domingo a mãe foi passar uns dias em Governador Celso Ramos, qualquer coisa como um spa ou centro de águas termais. Nem sei ao certo. Ela chegaria por volta das 13hs e eu ia dar um pulo lá. Como ela não atendeu o telefone - o que não é nenhuma novidade - eu não consegui o endereço e conseqüentemente não tinha o endereço.

Bom, isso não encerra a história de hoje, que na verdade nem é sobre isso, é sobre o fato de eu ter ficado em casa e por isso escrevo mais um post no blog.

Dos colegas de Banrisul, quando da saída da gloriosa Ag. Pátria Nova, ganhei de presente a Bierland Pale Ale. Pois hoje abri a cerveja para fazer jus ao presente recebido de colegas de quem guardo tão boa lembrança.





Ficha Técnica
Nome: Bierland Pale Ale Fabricante: Bierland Estilo: Extra Special/Strong Bitter (English Pale Ale) - 8C (BJCP) * Gradação Alcoólica: 7,2% ABV

A cor dourada e a turbidez dão uma aparência muito boa à cerveja. A espuma, pouca e efêmera, é a decepção. Nota 3/5.

Ao abrir a garrafa ele já se mostrava, mas ao servir o copo as notas herbais, predominantemente, e ainda toques cítricos em segundo plano, o aroma se apresenta em sua totalidade. Nota 6/10.

O sabor destacava o amargor balanceado com o malte, mas predominante.  Nota 14/20.

Essa pale ale tem textura aveludada. O retrogosto permanece apenas de forma efêmera, com mais destaque para o amargor na sensação. Nota 3/5.

De um modo geral, a cerveja é de mediana para boa, com conjunto sem muita complexidade mas com boa consistência e boa de beber. Cerveja honesta. Nota 6/10.

Nota Geral 32/50.



 
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quinta-feira, 20 de março de 2014

"Para escapar do pibinho, abertura é o caminho", diz Bacha

O estadão publicou a entrevista abaixo, com Edmar Bacha, um dos "pais" do Plano Real e atual líder do grupo "Casa das Garças", uma espécie de think-tank tupiniquim de economistas ligados aos tucanos. Mas não chega à ser um Shadow Cabinet porque, segundo o próprio Bacha, eles não estão debruçados em nenhum plano de governo para Aécio apresentar nas eleições deste ano.

De toda a forma, a entrevista mostra boa lucidez sobre os problemas do país e pode servir para uma discussão mais ampla sobre os rumos da nação.

O original pode ser lido clicando aqui.

RIO - No atual debate político econômico brasileiro, poucos têm posição tão clara como o economista Edmar Bacha. "Não é segredo para ninguém que sou tucano", diz ele. Um dos pais do Plano Real e hoje diretor da Casa das Garças, ponto de encontro carioca reservado às discussões de temas de interesse nacional, Bacha defende que o novo governo vai precisar impor um "desafazimento" da atual política macroeconômica e lançar as bases para uma abertura comercial de longo prazo.

Segundo Bacha, os "pibinhos" são frutos do isolamento nacional. "Estou convencido que para o Brasil crescer o caminho é a abertura para o comércio internacional", disse na entrevista que se segue.

No evento que marcou os 20 anos do Plano Real, na semana passada, o senhor disse que no primeiro dia do novo governo seria necessário retomar a reforma tributária. A agenda se resume à reforma?

Edmar Bacha:
Não. Com certeza é mais ampla. Eu parto de um diagnóstico, com uma sequência de pontos. O primeiro ponto é a constatação que estamos presos na chamada armadilha da renda média. Desde 1981, o Brasil vem tendo um crescimento medíocre. Esse processo parecia ter se alterado a partir de 2004. Porém, fica muito claro hoje que o impulso adicional que a economia teve entre 2004 e 2011 foi fruto único e exclusivo da bonança externa. A alta dos preços das commodities (matérias-primas com cotação internacional) e a enorme entrada de capital nesse período propiciaram e financiaram um extraordinário aumento da demanda interna. Como havia no começo do período uma capacidade ociosa acentuada e um desemprego alto, isso permitiu, durante esse período da bonança até 2011, que o País crescesse mais do que vinha crescendo no período anterior. Com a reversão da bonança, os preços das commodities começaram a cair e o fluxo de capital, por circunstâncias diversas, se reverteu, e voltamos aos pibinhos. Associado a esses pibinhos vem algo peculiar. Se temos pibinhos, deveríamos ter inflação baixa. No entanto, ao contrário, estamos com inflação elevada para os padrões dos nossos vizinhos - com exceção de Argentina e de Venezuela, que ninguém mais leva em conta. Há também déficit externo, quando pibinhos são associados a superávits comerciais. Esse conjunto denota que a economia brasileira tem uma enfermidade. Estamos diante de uma doença brasileira, que se forma pela associação de baixo crescimento, alta inflação, déficit externo e, para compor o quadro, desindustrialização. O que se constata é que o pibinho não é produto do atual governo, não é cíclico. É uma característica da economia brasileira há 30 anos. Uma característica quase secular - o País tem limitações para fazer a transição para o primeiro mundo.

Qual o segundo ponto do diagnóstico?

Edmar Bacha:
O segundo ponto é o que se vê quando listamos os países que, no pós-guerra, conseguiram fazer a transição da renda media para a renda elevada. Não foram muitos. Na minha conta, foram uns dez. Os Tigres Asiáticos e Israel fizeram a transição com base na indústria exportadora. Os países da periferia europeia - Portugal, Espanha, Grécia e Irlanda - fizeram a transição com base em prestação de serviços, inclusive com a concessão de mão de obra para a comunidade europeia. O terceiro conjunto de países inclui Austrália, Nova Zelândia e eu também colocaria no grupo a Noruega. Até o final dos anos 1960, a Noruega era o mais pobre entre os nórdicos e agora é o mais rico. Esses três países fizeram a transição na base de produtos naturais. Cada um fez a transição a sua maneira, mas com uma característica comum: todos se integraram a um mercado maior e encontraram nichos a partir dos quais conseguiram se desenvolver. Isso é empírico. A transição ocorreu por meio da integração internacional. Analiticamente, parece claro - para transitar da renda média para a alta renda, o nome do jogo é produtividade. Para todos esses países havia acabado a fase fácil em que se conseguia aumentar a produtividade trazendo gente da cidade para o campo - a fase em que a China e a Índia ainda se encontram. Como o ambiente urbano é mais produtivo que o campo, a mera transição do campo para a cidade, num contexto frequentemente de substituição de importações, permite que se faça a transição da pobreza para a renda média.

O Brasil já fez essa transição no mercado de trabalho, não? Hoje, nem a demografia ajuda mais.

Edmar Bacha:
Com certeza. É fato que acabou o excesso de mão de obra. Somos todos urbanos e não há mais crescimento da mão de obra. Mas nesse contexto temos que nos perguntar o que é produtividade. Em parte, é tecnologia. É preciso utilizar bens de capitais e insumos modernos. Produtividade também é escala. É preciso ter um mercado amplo para ter acesso aos benefícios da escala. Isso é uma característica da produção moderna. Terceiro, é preciso especialização. As empresas devem estar focadas naquilo em que são boas. Quarto, é preciso ter concorrência. Esse conjunto de fatores só se encontra quando um país se integra ao comércio internacional. Nisso está nosso problema. Quando comparamos o Brasil ao resto do mundo, para surpresa de muita gente, o País está em outra direção. Entre os 176 países para os quais os Banco Mundial tem dados, o Brasil é o que tem menor participação das importações no PIB - 13%. Contei isso para dois colegas da PUC-Rio num almoço e eles perguntaram: mas você tem certeza disso? Sim. O Brasil é o País mais fechado do mundo, sem considerar a Coreia do Norte, para a qual não há dados. E isso ocorre dos dois lados da balança. É assim tanto para importações quanto para exportações. O Brasil é um gigantinho em termos de PIB - é o sétimo do mundo. Mas é um anão em termos de exportações - o vigésimo quarto. Todos os outros seis que vêm antes do Brasil têm grandes PIBs e são grandes exportadores. A União Europeia, os Estados Unidos, a China, o Japão. Todos têm essas características. O Brasil é um grande que não exporta. Se ainda há alguma dúvida sobre a situação em que se encontra o Brasil, podemos fazer mais uma comparação. Nos anos 1960 e 70, a Coreia do Sul também crescia com base na substituição de importações, mas a partir do choque do petróleo, em 1974, houve uma total inversão na sua estratégia. O país passou a praticar uma forte política de promoção às exportações. Hoje, a Coreia exporta 58% do PIB. O Brasil exporta 12% do PIB. Há 40 anos, o PIB per capita da Coreia do Sul era praticamente igual ao do Brasil. Hoje, é três vezes maior do que o brasileiro. A Coreia tem grandes grupos empresariais exportadores, com tecnologia de ponta, educação de primeira. Se começarmos a fazer uma lista de requisitos para o desenvolvimento, não vamos parar mais. Volta e meia tem gente que faz uma lista de tudo que precisa ser consertado no Brasil e na hora que você vê a lista fica desesperado. Se é preciso consertar tantas coisas, não vamos chegar lá. Mas como Hirschman (Albert Hirschman, economista americano) nos ensinou: temos de pensar em termos de estratégia. Quais são os fatores críticos que, uma vez alterados, forçam o realinhamento do resto? Estou convencido, por todas as razões que acabo de falar, que para o Brasil crescer o caminho é a abertura para o comércio internacional.

Pela sua exposição, foi feito tudo ao contrário do que se deveria, então.

Edmar Bacha:
Sim. Hoje temos uma economia improdutiva, de alto custo, que sobrevive com enormes níveis de proteção. Nossos altos preços são frutos de uma economia fechada. A resposta do governo para toda essa problemática, principalmente depois de 2007, foi fechar mais. Quando o governo viu a desindustrialização e a incapacidade de concorrência das nossas empresas, ele aumentou as tarifas de importação e reduziu o IPI para produtos como automóveis produzidos localmente. Houve uma generalização da política de conteúdo local, da ideia de adensamento produtivo e da percepção de que é preciso criar mais proteção. Vou usar uma analogia. Vocês são muito jovens e não vão lembrar, mas tudo bem. Nos bondes de Belo Horizonte, nos anos 1950, havia anúncios do Regulador Xavier, O Grande Amigo da Mulher. Número 1: excesso. Número 2: escassez. Nós temos escassez de exportação e, portanto, precisamos de Regulador Xavier número 2. Abertura. Mas o governo está usando como remédio o Regulador número 1, que é para excesso. Faz isso porque vê excesso de importações. E ainda tenta corrigir o problema setorialmente. Vai setor por setor, olhando qual é o déficit comercial. Na indústria da saúde - esse eu sei - o déficit é de US$ 11 bilhões. Na indústria de eletrônicos - esse eu também sei - US$ 16 bilhões. Em função dos déficits setoriais, o governo cria estratégias de proteção, via subsídios creditícios do BNDES e via requisitos de conteúdo local, exagerados. São excrescências. E há ainda uma terceira excrescência: os PPBs, Processos Produtivos Básicos. Se você quer se beneficiar dos subsídios e da proteção para produzir a tomada de três pontas - esse grande avanço tecnológico brasileiro (risos) - basta submeter um projeto ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, apresentando especificações das diversas etapas do processo produtivo, e um burocrata do ministério vai dizer quanto você tem que comprar de produto local para produzir aquele bem. É a mesma coisa por todos os lados: para dar uma resposta à baixa produtividade o governo aumenta a improdutividade, criando e ampliando toda essa parafernalha. Vou dar um exemplo bem pequenininho. A Unesco está lançando um concurso de projetos, voltado a pesquisadores de universidades interessados em fazer um estudo analítico sobre como aprofundar a política de adensamento produtivo, de maneira a beneficiar os setores mais atingidos pela onda das importações. Veja você: é um projeto realmente encomendado e financiado por alguém do Brasil para a Unesco e a gente sabe que vai ter só uma proposta, de uma universidade do interior paulista. A gente precisa romper com essa combinação desastrosa que existe no Brasil de hoje.

O argumento usado em favor da proteção é de que o País precisa preservar empregos e setores mais frágeis da economia. A abertura será necessariamente traumática?

Edmar Bacha:
Primeiro eu vou ter de convencer que a abertura é o caminho. Feito o convencimento, teremos de definir a estratégia - e essa estratégia precisa passar por dois testes. O teste de política econômica, que cumpra com requisitos básicos como eficiência, geração de emprego, desenvolvimento de tecnologias, e o teste do setor, porque é preciso levar em conta que a estratégia pretérita criou grupos de interesse e realidades subjetivas. As multinacionais vieram para o Brasil com o compromisso implícito do governo de que o nível de proteção não iria abaixar. Eu mesmo vi isso. Conversando com representantes de indústrias químicas interessadas em se expandir, eles só diziam uma coisa: "mas vocês garantem que não haverá redução das tarifas depois de a gente entrar? Daqui a gente não consegue exportar. Se houver redução das tarifas a seco, vamos à falência porque nossos concorrentes, que produzem lá fora a preços bem mais baixos, vão conseguir vender aqui com muito mais facilidade." Como fazer a transição é um problema e, para superá-lo, eu tenho uma proposta baseada em três pilares. O primeiro pilar é reduzir o Custo Brasil. Os empresários têm toda razão de reclamar do peso e da complexidade da carga tributária brasileira. Têm toda razão de reclamar da falta de logística, da precariedade de nossos portos, estradas e aeroportos. Portanto, o primeiro pilar é atender a esse reclamo. Por isso, eu disse que no primeiro ano do novo governo é importante dar uma limpada de área e fazer uma reforma tributária que ao menos simplifique o sistema. O Dornelles (Francisco Dornelles, senador) tem a proposta do VAT (termo em inglês para Imposto de Valor Adicionado, ou IVA) nacional, que teria impacto sobre toda a estrutura. O resultado seria extraordinário em termos de redução da complicação e do aparato de pessoas e processos administrativos e judiciários, contadores e advogados, que as empresas precisam manter para atender e muitas vezes se contraporem as exigências do fisco. Uma coisa que só aumenta a improdutividade da economia. Uma simplificação é essencial. Assim como é essencial entrar de corpo e alma no processo de concessões para termos portos, aeroportos e estradas com a mínima condição de escoar nossa produção. É um programa para sete anos - os três anos do primeiro, mais os quatro do segundo mandato...

É o que o sr. já chamou de Plano Real para a indústria?

Edmar Bacha:
Dei esse nome lá atrás para chamar a atenção.

O sr. rebatizou?

Edmar Bacha:
Com esse nome, ficava banalizado. O Real foi o que foi. Usei esse nome como uma maneira de chamar a atenção para o projeto - e funcionou. Fui chamado para falar na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), no Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André, no Itamaraty, no Senado. As pessoas já estão atentas à substância do projeto.

Quais os outros pilares do plano?

Edmar Bacha:
O segundo ponto, como dizia, é trocar todo o aparato protecionista - tarifas, preferência por compras governamentais, política de conteúdo nacional, o crédito subsidiado e outros - por câmbio. O câmbio não é de graça. Se fosse de graça, seria inflacionário. Mas no contexto em que você está reduzindo o custo dos importados, pode se dar ao luxo de elevar o preço das exportações. Ao substituir a proteção tarifária pela proteção cambial, já se faz seleção natural. Quem se beneficia da proteção cambial são as empresas e setores mais eficientes, com maior capacidade exportadora. Não será preciso manter um aparato de microgerenciamento, como há hoje. É claro que será preciso ter mecanismos indutores. O governo vai precisar ficar atento a quais são as vantagens naturais existentes, aos rumos da tecnologia mundial, a como se defender de concorrentes comerciais, onde é possível entrar mais facilmente. Esse é um enorme papel para o Estado dentro de uma política industrial voltada à integração da economia brasileira às cadeias internacionais de valor. Isso vai substituir a atual política de adensamento produtivo. A terceira perna são os acordos comerciais. Vamos abrir, sim, mas não vamos entrar no jogo de graça. A decisão de abrir é unilateral e progressiva. Precisa ficar claro para as multinacionais que estão aqui que o jogo mudou, mas que elas terão tempo de se adaptar. Poderão deixar de produzir tudo localmente e se integrar às suas filiais e subsidiárias internacionais. O comércio internacional de hoje não é igual ao que existia no tempo de David Ricardo (economista inglês, um dos pais da escola clássica no século XIX), quando Portugal exportava vinhos e importava tecidos da Inglaterra. Hoje o comercio é intrasetores e intrafirmas, dentro das indústrias, como a automobilística. Mais recentemente, ele se tornou intraprodutos. Onde o iPad é produzido? Depende de que nível estamos falando. Ele é concluído na China por uma empresa de Taiwan. O comércio internacional é feito por essas cadeias globais de valor - das quais o Brasil se isolou totalmente. Há um problema de fato geográfico - mas aí vou entrar no detalhe. Posso?

Claro. Mas aproveitamos para perguntar: como fica o Mercosul?

Edmar Bacha:
A questão é justamente essa. As cadeias globais têm uma localização geográfica. Há uma na União Europeia. Outra na América do Norte, no entorno dos Estados Unidos. Há uma terceira Ásia. Nós ficamos isolados, mas podemos começar nossa cadeiazinha aqui. O fato é que com a atual política distorcida do Mercosul, como bem notou José Roberto (José Roberto Mendonça de Barros tratou do tema no evento sobre o Plano Real, na última quarta-feira), o projeto original da integração automobilística pretendia aproveitar a expansão regional, produzir tipos específicos de automóveis, que depois seriam exportados para o mundo. No entanto, virou esse meleiro geral. Como ele disse: vão entrar não sei mais quantas montadoras aqui no Brasil e vai sair carro pelos tubos, porque esse carro produzido aqui não pode ser exportado. Não tem preço. Então, temos que voltar ao projeto original de integração econômica, e física também, da América do Sul. Mas é uma integração regional com visão globalizada. Não é para fazer, o que era o projeto original da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, das Nações Unidas), a substituição de importações a nível regional. Não se trata disso. Temos que aproveitar a proximidade regional e as diferentes vocações dos países para fazer uma complementação produtiva, de tal forma que facilite, numa segunda etapa, a integração com o resto do mundo.

Em algum momento o sr. fez uma estimativa do quanto o País poderia crescer com esse processo de abertura?

Edmar Bacha:
Dá para chegar em 2030, aonde Portugal está, e ter US$ 24 mil (de renda per capita). Esse é que é nosso objetivo para um horizonte de longo prazo. Isso envolve, basicamente, uma trajetória de crescimento de em torno de 5% ao ano.

Foram preciso décadas para implantar um plano de combate a inflação que funcionasse. Há espaço político para a implantação de um plano de abertura como esse?

Edmar Bacha:
Você se lembrará que, em 1993, a equipe econômica foi muito relutantemente convocada a serviço do Plano Real, porque achava que não havia condições políticas para tal. Portanto, as condições políticas propícias para o Real foram após ele ter tido sucesso. Vistas "ex ante", as condições eram péssimas. Você tinha um governo de um vice-presidente (Itamar Franco, empossado após o impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello), que não tinha legitimidade, não tinha maioria no Congresso, só tinha mais dois anos pela frente e havia demitido três ministros da Fazenda em sete meses. Que condições políticas eram essas? Era uma desgraça! Um plano desse tipo você implanta no primeiro ano de um governo recentemente eleito, com poder político e com capacidade de implementar todas as medidas que o plano exige. Por que a gente fez tanta ênfase em votar o Fundo Social de Emergência antes de introduzir a URV (Unidade Real de Valor, indexador que precedeu o lançamento do real)? Como você gera um processo de expectativas que se volte a seu favor? O Fernando Henrique anunciou o plano em três etapas. A primeira era mandar uma emenda constitucional para o Congresso. Se o Congresso aprovar, vamos implementar a unificação do sistema de indexação. Feita a indexação, vamos introduzir a nova moeda. Ou seja, estou dizendo para os políticos: "lá na frente, eu vou eleger vocês. Mas só vou eleger vocês se antes disso me derem o ajuste fiscal". Havia essa sequência. Era época de reforma constitucional, prevista na Constituição de 1988, e você sabe que outra reforma constitucional nós passamos em 1993? Além dessa, acabamos com a proibição para que professores estrangeiros lecionassem nas universidades públicas brasileiras. Eu fiz um pacote de reformas constitucionais para acompanhar o plano, junto com o Serra (José Serra, ex-ministro da Saúde) e com o Jobim (Nelson Jobim, ex-ministro da Justiça). Era um pacote desse tamanho de reformas. Alguma coisa foi aprovada? Não. Zero. Isso virou o programa do Fernando Henrique no primeiro mandato.

Como a proposta de abertura comercial tem sido recebida?

Edmar Bacha:
Na verdade, me surpreendo com o quão favorável é a resposta. Os empresários raciocinam o seguinte: "eu jogo a regra do jogo". Se a regra do jogo é a proteção e o subsídio dentro desse contexto de manutenção do elevado Custo Brasil, o empresário passa boa parte do seu tempo em Brasília e na Avenida Chile (onde fica a sede do BNDES, no Rio), em vez de ficar trabalhando na fábrica. O empresário sabe que se ele não for, o concorrente vai. Ele tem que jogar o jogo que o governo está jogando. E ele joga insatisfeito. É clara a insatisfação dos empresários. Os bons empresários, que têm capacidade e eficiência, sabem que dentro dessas regras não há como sobreviver. Agora, ao anunciar que as regras serão alteradas, que tudo será transparente, que vai dar tempo para se ajustar, que as regras serão iguais para todos e ao mostrar que o governo tem poder político para fazer, o empresário topa a mudança.

E como fica o BNDES?

Edmar Bacha:
O BNDES, depois da crise, foi totalmente desvirtuado. O mercado de capitais estava se desenvolvendo e o BNDES se voltando para duas grandes linhas - de complementação do financiamento privado e de especialização em nichos muito críticos, mas que o setor privado não vai atacar, como infraestrutura e alta tecnologia. Mas, de repente, o BNDES virou a mãe do todos os empresários brasileiros. Abriram o Tesouro para ele fazer tudo o que queria e o BNDES se tornou esse Golias - não, Golias não, isso seria uma homenagem. Tornou-se esse gigante balofo que está aí, que, na verdade, em vez de complementar, está substituindo o mercado financeiro, inibindo o desenvolvimento financeiro do País, distorcendo a alocação de recursos, criando um orçamento paralelo que não é votado pelo Congresso, que não é incluído nas contas públicas, tornando ainda menos transparentes as contas públicas brasileiras. O BNDES virou uma desgraça e certamente ele tem que voltar aos trilhos de antes dessa expansão extraordinária, propiciada por uma percepção equivocada das consequências da crise econômica financeira internacional de 2008 e 2009.

A sua proposta de abertura inclui eleger setores ou que sobreviva quem é eficiente apenas?

Edmar Bacha:
Não, não é a volta de Joaquim Murtinho (ministro da Fazendo na virada do século XIX para o XX, que pregou a eliminação dos produtores ineficientes). É preciso, dentro de uma perspectiva de 30 anos, ter em mente vocações básicas. Onde já há promessas interessantes? A política industrial continua existindo. Mas não é eleição de setores. Os setores, de certa maneira, se auto elegem. O que pode ocorrer é a localização de nichos promissores, que ainda vão precisar de um tempo. Quando vejo o governo dizer que está fazendo no pré-sal a mesma coisa que a Noruega fez, é uma maluquice. A Noruega montou uma indústria ancilar ao petróleo. Tinha conteúdo nacional, tinha proteção, tinha mecanismos de subsídio até - mas olhava para os setores promissores, sob o a ótica de se construir uma indústria exportadora. Foi isso que a Noruega fez. Se no Brasil há setores promissores, que precisam de proteção localizada temporal, será dada, mas dentro dessa perspectiva. Uma hora acaba e o setor protegido vai ter de ser competitivo internacionalmente. O mercado interno não vai estar disponível para ele a um preço diferente do de seus competidores internacionais.

Em paralelo a isso, como será a política macroeconômica - a fiscal, a cambial?

Edmar Bacha:
O que estou falando aqui é uma política de longo prazo. O projeto de longo prazo se estrutura em torno desse eixo da integração competitiva. Volta e meia vai bater um pouquinho de frente, ou de lado, com requisitos da política macroeconômica de curto prazo. Por exemplo: o câmbio. Como se coaduna a ideia de substituir tarifa de importação por câmbio, com a ideia de que o câmbio tem que flutuar livremente? Se coaduna mal. Digamos que o governo, no primeiro ano de mandato, anuncia que vai alterar de maneira fundamental a política industrial deste País. Doravante, todos nossos instrumentos de ação governamental estão voltados para reindustrializar o País na base da integração competitiva com o resto do mundo. Para isso, aqui está um programa, que vou implantar ao longo de certo número de anos. Ele inclui, por exemplo, que, no fim de sete anos, a tarifa média de importação vai ser de 5% e a máxima, de 10%. E inclui que essa política de conteúdo local, tal qual vem sendo aplicada agora, vai desaparecer. Não vamos mais determinar onde e quando proteger os setores com base em déficits comerciais setoriais. Se houver déficits, vamos tratar de resolvê-los por aumento de exportações e não por redução de importações. Número dois e não número um (referência à propaganda do remédio dos anos 50). Se houver determinação política e credibilidade, os agentes econômicos vão olhar e vão dizer: "vai haver uma inundação de importações". Se eu estou lá no mercado financeiro, penso: "caramba, daqui a dois anos vai começar a aumentar a quantidade de importações. Para importar, você precisa de dólar. Vai aumentar muito a demanda de dólares. Se a demanda por dólares vai aumentar, no ano que vem, o dólar, que está hoje R$ 2,30, vai a R$ 2,80. Cara, vou comprar o dólar hoje." O que acontece então? O dólar vai a R$ 2,80 hoje. Isso se você acredita na perfeita racionalidade dos mercados. Isso se forem pessoas que sabem o que estão fazendo, que vão fazer e que têm condições políticas para fazer. O que os agentes econômicos fazem? Antecipam. Por que o Plano Real deu tão certo? As pessoas disseram: "deixa eu entrar nessa jogada logo".

E a questão da inflação?

Edmar Bacha:
Como já disse o Pérsio (Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real), precisamos de um "desfazimento" de todas as distorções criadas nos últimos anos no contexto dessa "defunta nova matriz macroeconômica". Como parte da defunta, há um processo de segurar a inflação através do controle de preços básicos, especialmente energia e petróleo. Obviamente, isso vai ter que ser desfeito. Mas como faz se esse processo? É melhor fazer de uma vez ou por meio de um de ajuste?

O que o sr. acha mais adequado?

Edmar Bacha:
Vai depender. Quem chegar lá terá de avaliar as condições macroeconômicas. Em um de seus livros, Inflação: gradualismo ou tratamento de choque, de 1970, Simonsen (Mario Henrique Simonsen, ex-ministro da Fazenda) queria o tratamento de choque. Bulhões (Otávio de Gouveia Bulhões, também ex- ministro da Fazenda), o gradualismo. Ganhou o gradualismo. Foi por isso que a gente não conseguiu baixar a inflação. Teria sido melhor fazer um tratamento de choque naquela época? Sim, diria hoje. Era melhor ter sofrido um ou dois anos, mas ter 20 à frente. É possível, politicamente, fazer isso? Sabemos que, se for um governo de oposição, o acirramento vai ser extraordinário. Como isso combina com mecanismos outros que o governo possa acionar para compensar esse agravamento dessa distorção de preços? O custo de vida vai subir. Como evitar que isso se transforme num ciclo inflacionário? Tudo isso vai depender um pouco da avaliação concreta de quais são as condições macroeconômicas e as condições políticas de implementação da uma política. O segredo todo é trazer o público com você. Quer dizer: "olha, nós vamos fazer isso". Agora, como você faz isso sem que haja antecipações negativas? Esse que é o problema de uma política econômica transparente. Você não anuncia que vai desvalorizar o câmbio amanhã, porque hoje o mercado desvaloriza em cima da sua cara. Você tem que entender o processo de formação de expectativas e tratar de usá-lo a seu favor - e não contra você.

Mas explique melhor como seria feito esse "desfazimento"?

Edmar Bacha:
Será preciso colocar o tripé de novo de pé. Mas, ao lado disso, temos que considerar as questões levantadas pelo Armínio (Armínio Fraga, ex-presidente do BC). Uma vez que você reconstruiu o que foi abalado, no ponto em que estava, temos que continuar o processo de construção institucional nas áreas monetária e fiscal. Porque o tripé, como bem apontou o Pérsio, era manco. Ele funcionava com base numa taxa de juros absurda. E queremos um tripé que funcione com base numa taxa de juros internacional. Portanto, precisamos continuar construindo as instituições que apoiem a política monetária para que ela tenha uma maior potência e possa fazer com menos juros o mesmo trabalho sobre a inflação. Tenho ideias sobre isso, no meu "artiguinho" de 2011: "Além do tripé".

Qual seria a linha?

Edmar Bacha:
Estabelecer teto para dívida líquida e bruta, meta inflacionária de longo prazo, com limite para o crescimento do gasto público. Tudo isso é parte do processo.

O sr. já apresentou essa proposta a algum candidato?

Edmar Bacha:
Obviamente eu discuto essas ideias. Vocês devem querer saber sobre a minha relação com o Aécio (Aécio Neves, senador por Minas Gerais e provável candidato do PSDB à Presidência da República). Não é segredo para ninguém que sou tucano. Mas não estou na campanha. Quando o Aécio me pergunta alguma coisa, eu apenas digo o que eu acho.

Vocês têm conversado?

Edmar Bacha:
Não. A última vez que conversei com o Aécio foi sobre o discurso dele. Esse discurso que ele fez sobre o Real.

Que cenário o sr. está vendo para a campanha?

Edmar Bacha:
Do nosso lado houve o apaziguamento interno. Desde o Fernando Henrique, esta será a primeira eleição em que o partido vai estar íntegro, apoiando um candidato. O trabalho do Aécio foi feito todo em cima disso e foi conseguido. O partido está unificado. Agora, temos que conseguir os palanques regionais. É isso que o Aécio está falando atualmente. A etapa final é na hora em que a TV se abre, após o fim da Copa. Aí vamos para o debate público.


A economia vai ter um peso maior nessa eleição?

Edmar Bacha:
Do jeito que as coisas estão indo, com certeza. A insatisfação existe. É uma insatisfação difusa. O emprego ainda está alto, mas, por outro lado, os preços estão saindo do controle. Existe medo do que o futuro promete. Há muita insatisfação com a qualidade dos serviços públicos. Existe o desejo de mudança. Isso está nas pesquisas de opinião pública. As pessoas estão insatisfeitas, estão querendo alguma coisa nova. 


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terça-feira, 18 de março de 2014

Genesis: Casa à Beira-Mar

No domingo estava lá eu, fazendo um almoço às 15hs da tarde, e pra embalar todo o esquema, Genesis.

É uma banda de Rock Progressivo, mas à partir da entrada de Phil Collins como vocalista buscou um som um pouco mais pop. Um som que acompanhou a carreira do Collins depois que ele deixou a banda.


Uma das músicas que eu mais gosto está presente na Bacobens Top 500, "Home by the sea". Segundo o próprio Phil, é uma música sobre um ladrão que arromba uma casa, descobrindo depois ser uma prisão assombrada, dentro da qual é capturado e condenado à ouvir suas histórias para o resto da vida.

Curte o som:



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domingo, 16 de março de 2014

0009: Voll-Damm, duplo malte, duplamente gostosa

Nunca escondi de ninguém que um dos tipos de cerveja que eu mais gosto é o Märzen (ou Oktoberfestbier). Tinha dado uma parada no blog, menos por falta de tempo e mais por falta de vontade. O que eu tinha, também, era uma Voll-Damm na geladeira, dentre tantas outras que ainda não abri porque queria pôr no blog.

Enfim, neste Domingo acordei relativamente cedo, umas 9 horas e quebrados. Tinha feito na semana passada um rancho para a semana e dentre outras coisas comprei uma ripa de costelinha de porco. Assada bem lentamente, no forno, fica um espetáculo. E quanto mais cedo começar, mais cedo se come, certo? O inverso também é verdadeiro: quanto mais tarde se começar, mais tarde se come. O almoço foi servido às 17 horas e quebrados... Enfim, aproveitei o momento por achar que a Voll-Damm cairia bem com a costelinha de porco.


A Voll-Damm é um produto não-sazonal da cervejaria espanhola Damm. Uma Märzenbier com mais malte, não pouco nem muito, "exatamente o dobro", como anuncia a fabricante. Além do tradicionalíssimo estilo Oktoberfestbier, a Damm busca fazer uma cerveja forte e "cheia" (Voll, em alemão, é "cheio"), como o ancestral estilo Vollbier de cerveja. A cerveja recebeu da International Beer Competition 2004 e foi eleita a melhor Strong Lager do mundo em 2007 pela Beers of the World.



Ficha Técnica

Nome: Voll-Damm Doble Malta
Fabricante: Damm
Estilo: Märzenbier - 3B (BJCP)
Gradação Alcoólica: 7,2% ABV

Ao derramá-la no copo, a cor amarelo-ouro destacou-se, com aparência turva, dando uma aparência de não filtrada. A espuma, embora pouca e efêmera, era bonita e consistente. Poderia ser mais abundante. Nota 3/5.

O aroma era abundante, já se fazendo sentir quando aberta a garrafa. O balanço entre o lúpulo, bastante floral, e o malte, adocicado, dá característica marcante à cerveja. Excelente e alvissareiro. Nota 8/10.

O sabor acompanhava o relator. Forte na presença do malte, o que dá um adocicado à cerveja. Não um adocicado enjoativo mas também não um adocicado fácil de se beber. Embora não seja uma cerveja super complexa, ela é forte. Ainda sente-se o amargor balanceado, levemente floral. Gostei bastante. Nota 17/20.

O sabor é persistente na boca e o retro-gosto amargo. Essa combinação também torna a cerveja mais "difícil" de beber, ainda mais sob um calor de 34°C como no dia de hoje, em Florianópolis. Sensação muito boa. Nota 4/5.

Cerveja muito boa, de um modo geral. Isso que estava guardada há quase dois anos, se bem me lembro. O conjunto recebe nota 7/10. Prova de que cerveja boa não tem prazo de validade. A nota geral, 39/50, mostra uma cerveja bastante boa.


Blog do Finken recomenda.


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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Quando Silenciam os Canhões

Há não muitos meses a Grande Guerra estourava entre as grandes potências europeias. As tropas inimigas, entrincheiradas frente à frente por centenas de quilômetros, eram separadas por pedaço de chão chamado irônicamente de "Terra de Ninguém".


Acostumados e preparados para a guerra de manobras, à moda napoleônica, nenhum dos lados conseguia obter vantagem decisiva sobre o adversário, de capacidade militar semelhante. Os morteiros, obuses e canhões lançavam ao vento uma obscura e sombria sinfonia. As metralhadoras avisavam aos inimigos: não ousem levantar suas cabeças para enxergar o outro lado.

Para além do nacionalismo que nutriu ódios mútuos entre as grandes potências, provavelmente os soldados não entendiam bem porque estavam se batendo. Nenhum deles conhecia Gavrilo Princip e tampouco o Arquiduque Francisco Fernando. Poucos deles conheciam as colônias das grandes potências na África e outras partes do mundo.

Mas naquela manhã o céu apareceu azul. Limpo. Não havia vento naquela porção de terra francesa. As sinfonias da guerra não tocaram naquele instante. Tudo estava calmo. Alguns soldados, com que coragem não se sabe, ergueram suas cabeças acima da linha das trincheiras. "Será que a guerra terminou?" Poderia ele retornar à Berlim, Paris, Londres?

Soldados Alemães e Britânicos confraternizam.

Era a manhã de Natal de 1914. Enquanto olhava, viu que apenas 15 ou 20 metros adiante alguém também erguia sua cabeça. Alguns começaram à sair da trincheira em direção à terra de ninguém. Não carregavam armas. Alguns de seus companheiros fizeram o mesmo e se encontraram com os inimigos à meio caminho. De um lado soldados alemães e de outro lado soldados britânicos. Há meia dúzia de horas esse gesto seria fatal. Mas hoje eles apertavam mãos, conversavam dentro dos limites das línguas mãe. Seus inimigos de véspera eram agora amigos.

Eles ainda jogaram partidas de futebol, um esporte amado em ambos os países. Mostraram fotos de suas famílias, improvisaram árvores de natal e trocaram presentes. Os oficiais estavam zangados pela trégua. Queriam prosseguir com a guerra. No dia seguinte, voltaram as velhas sinfonias. É bem provável que muitos daqueles homens seriam alvejados pelos seus amigos do outro lado da trincheira. O conflito ceifaria muitas vidas. Milhões. Mas aqueles que presenciaram o silêncio dos canhões jamais esqueceriam aquela data memorável.

Soldado Alemão na trincheira aliada.

Soldados jogam uma partida de futebol.


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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

0008: Baden Baden Christmas Beer

Depois de algum tempo afastado do blogue e das cervejas especiais, voltei.

Dia desses estava na casa da mãe e haviam, sei lá, sete ou oito cervejas que ainda faltavam ser abertas. Alguns dias antes, no Angeloni, na área das cervejas onde eu costumeiramente passo pra apanhar meia dúzia de Heinekens ou Golds, como que iluminadas por um divino feixe de luz, daqueles que se esgueira entre as nuvens de um céu encoberto, estava um trio nada desprezível: uma Baden Baden Christmas Beer, uma Eisenbahn Oktoberfest e uma Voll-Damm Double Malta, também do estilo Märzen porém com o dobro de malte.


A primeira seria a primeira vítima. E a primeira vez que escrevo essa coluna direto no meu blog.

Ficha Técnica

Nome: Baden Baden Christmas Beer
Fabricante: Baden Baden
Estilo: Christmas Beer - 21B (BJCP)
Gradação Alcoólica: 5,5% ABV

Por tratar-se de uma cerveja sazonal, eu esperava bastante desta cerveja. Colocada no copo, a aparência foi positiva. Levemente turva, cor palha, a espuma média. Embora se parecesse mais com uma Lager, parecia ser saborosa. Nota 3/5.

O aroma foi pouco. Leve adocicado e frutado. Nada muito mais que isso para falar. Nota 3/10.

O sabor destacou-se principalmente por um leve adocicado e sabor muito leve. Nota 8/20.

A sensação é razoável, apenas. A cerveja desce cristalina, com pouco corpo e textura. O retrogosto foi levemente adocicado. Nota 2/5.

O conjunto foi mediano, com muita boa vontade. Nota 2/10.

Nota final foi 18/50. A cerveja não empolga mas está longe de ser ruim. Apenas não tem muita fraça.

A harmonização é recomendada para aves e carnes leves, as tradicionais do Natal. A minha foi um pouco diferente. Assei um vazio no forno e servi com um arroz incrementado. Ficou uma delícia.


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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Top 10: como coisas do seu dia-a-dia são feitas no espaço.

Desde o ápice da Corrida Espacial um astronauta não recebia tanta atenção ou era saudado como uma legítima celebridade como personalidade internacional.

Além de seus inúmeros feitos e prêmios com os quais foi galardoado, Chris é mais conhecido pelo intenso trabalho de aproximar a exploração espacial das pessoas. Ele fez isso de diversas formas, mas principalmente com seus vídeos e sua atividade no twitter.

A reportagem abaixo foi retirada do site da Superinteressante e mostra como 10 atividades do dia-a-dia aparentemente simples são feitas no espaço, com as limitações da falta de gravidade, entre outras coisas.

1. Como lavar as mãos



Os astronautas utilizam um produto sem enxague, que é feito basicamente de água com um pouco de sabão. Uma bolha do produto já é suficiente para esfregar as mãos e limpá-las. Depois disso, o astronauta enxuga as mãos em uma toalha. A água da toalha evapora e volta para a central de abastecimento da ISS para ser reutilizada.

2. Como cortar as unhas



O cortador de unhas é normal, a única diferença é um velcro que serve para grudá-lo no bolso do astronauta, por exemplo. Mas se você tentar cortar suas unhas sem gravidade, elas não vão cair no chão. E ninguém quer ser “atacado” por um pedaço de unha que está flutuando por aí, né? Por isso, a técnica é cortar as unhas perto de um duto em que o ar é sugado. Elas ficam presas nas grades e são recolhidas depois na limpeza semanal das saídas de ar, que é feita por aspiradores.

3. Como cozinhar comida “seca”



Neste vídeo, Chris mostra como preparar um pacote de espinafre desidratado. Para preparar a comida, é preciso encaixar o pacote no distribuidor de água, escolher a quantidade necessária e aguardar. A água entra e “cozinha” o espinafre, que está pronto para consumo.

4. Como preparar um sanduíche



Outro vídeo com curiosidades sobre comida. No começo da exploração espacial, os astronautas se alimentavam basicamente de comidas desidratadas (como a do vídeo anterior) e alimentos transformados em pastas. Mas a tecnologia espacial evoluiu também na área dedicada à cozinha: agora eles comem alimentos iguais aos nossos também. Chris mostra como preparar um sanduíche feito com tortilha (para evitar as migalhas que um pão produziria), mel e manteiga de amendoim.

5. Como se exercitar


Para evitar as mudanças indesejadas do corpo no espaço, como o enfraquecimento dos músculos e ossos, os astronautas tem que se exercitar constantemente. O vídeo mostra a rotina do astronauta em dois aparelhos de exercícios (tem até ~trilha sonora~ de academia).

6. Como escovar os dentes



A escova e a pasta  de dentes são normais, mas não há água corrente no espaço. Uma bolha de água potável é usada para molhar a escova e a escovação acontece normalmente. Mas aí vem a dúvida: como enxaguar a boca depois da escovação? Dá pra cuspir normalmente? A resposta é não. Eles engolem tudo que usaram na hora de escovar os dentes. Tenso.

7. Como chorar



Chorar, na verdade, é tão fácil quanto aqui na Terra. Mas fazer isso pode ter um resultado diferente num ambiente sem gravidade. Isso porque as lágrimas simplesmente não caem. O que acontece é que uma bola de água é formada em seus olhos e cresce conforme você chora. Estranho, né?

8. Como fazer a barba



O ato de se barbear tem um problema parecido com o de cortar as unhas: os pelos podem sair flutuando livremente. Pra resolver isso, os astronautas usam um tipo especial de creme para barbear e uma lâmina comum. O passo final é utilizar uma toalha para remover os pelos da lâmina e do rosto. E um detalhe: o bigode tem que ser limpo com um aspirador.

9. Como dormir



A rotina na ISS é puxada: os astronautas passam o dia ocupados com as atividades cotidianas, se exercitando e realizando estudos científicos. E como eles fazem para descansar? Existem módulos de descanso em que eles dormem. São como sacos de dormir atados nas paredes, que seguram os astronautas no lugar enquanto eles estão adormecidos. Pode parecer desconfortável, sem um colchão ou um travesseiro. Mas Chris explica que, sem a gravidade, você não precisa de nada para fazer seus músculos relaxarem totalmente.

10. Como vomitar



Bem, nenhuma pessoa saudável vomita todos os dias. Mas todo mundo já ficou doente e enjoado. E quando um astronauta chega na ISS é muito comum ficar assim. Afinal, mesmo com toda a preparação, nada se compara com a sensação real de estar ali. Por isso, existe um saco criado especialmente para cuidar desse tipo de “conteúdo”, já que ele vai ficar na Estação durante meses. O saco plástico é bem simples, mas vem com uma toalha acoplada para que o astronauta possa limpar o rosto rapidamente e colocar essa parte dentro do saco junto com o que “colocou pra fora”.

Bônus Vídeo:



Neste vídeo, Chris mostra o que acontece ao torcer uma toalha molhada no espaço. É o vídeo de maior sucesso dele. A tensão superficial da água a mantém junto da toalha, formando uma espécia de camada exterior.

Para a reportagem original, clique aqui.

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